Noventa

Na década de 1990, comecei a me interessar o suficiente por futebol e passei a frequentar estádios.

Fui com meu pai a inúmeros jogos antes de começar a ir sozinho ou com amigos. Alguns desses jogos tinham uma aura especial: os clássicos.

Chegar ao estádio e ver do outro lado imensidão igual (ou quase igual) à sua, nas cores adversárias, provocantes, bandeiras pra todo lado, baterias, fogos de artifício, mesmo a tensão no chegar e no ir embora, tudo era parte indispensável da festa. A presença do outro enaltecia a nossa, nos fazia mais forte, tanto na vitória quanto na derrota, que era o momento de mostrar que gritávamos mais independentemente do resultado.

Os anos noventa terminaram, para mim, da melhor maneira possível: dois títulos brasileiros, 98 e 99, e jogos memoráveis entre o meu Corinthians e seus contrários, Palmeiras e São Paulo. 

Todos eles no Morumbi.

Dez anos depois, o local ainda é o mesmo, mas outros noventa norteiam o primeiro clássico do ano: os noventa reais cobrados pelos míseros 6.800 ingressos “generosamente cedidos”, nas palavras do presidente são-paulino, para a torcida corinthiana.

Não bastasse a triste e descabida decisão de fazer um clássico sem o estádio dividido ao meio, que além de desabonar a tradição brasileira e o espetáculo em si provoca ainda mais insegurança para aqueles que se aventuram a comparecer ao jogo, dos dois lados, ainda há a lastimável cobrança de um preço absurdo pelos ingressos de visitante.

A guerra que sempre se instaura, às vezes apenas em forma de clima, outras em vias de fato, ganha tensão desnecessária, com as torcidas prometendo emboscadas e a polícia cacetadas. A rivalidade é acentuada da pior forma possível. E os torcedores dos dois lados sofrem para ver o jogo.

Por conta disso, no próximo dia 15 Corinthians e São Paulo farão um clássico ainda mais marcado pela confusão. 

Primeiro porque muito mais do que 6.800 corinthianos comparecerão. 

Segundo porque boa parte deles planeja não entrar e protestar, ato encorajado (com razão) pela própria diretoria do clube ao saber do preço dos ingresos.

Terceiro porque o jogo não se resume ao estádio, e por toda a cidade Tricolores e Alvinegros tomarão para si a briga emcampada pela diretoria são-paulina contra a Federação Paulista de Futebol.

E nessa guerra entre São Paulo e Federação, é o Tricolor Paulista quem se apequena ao fazer uso das mesmas práticas de Grêmios Barueris da vida quando enfrentam um grande em sua casa: abusar dos torcedores.

O clube cuja mídia propagandeia o maior sucesso em marketing esportivo, o pioneiro nas relações de mercado, o maior vencedor de títulos nacionais e internacionais do país parte para o ataque do lado errado, talvez receoso da iminente crescida do rival alavancada pela contratação de Ronaldo. Ataca sua torcida, a mesma que promete ultrapassar em dez anos, porque sabe que é nela que se baseia a força rival, talvez sem ter a real dimensão do poder – de reação e de destruição – dela. 

E pra tentar disfarçar o ataque, irresponsável por colocar a cidade ainda mais fora de controle, transforma-o em promoção para sua torcida, que ganha o ingresso do clássico ao comprar antecipado os ingressos dos três jogos em casa na primeira fase da Libertadores.

Para além do questionamento sobre se é certo o preço abusivo (coisa que, na Inglaterra, tomada a todo instante por exemplo, não é permitida, uma vez que se obriga o time mandante a cobrar da torcida visitante o mesmo preço do ingresso mais barato para a torcida da casa), fica aqui a indignação de quem acompanhou todos os clássicos paulistas realizados na capital ao vivo e in loco nos últimos três anos, acompanhado da mulher, sem nunca ter presenciado uma cena sequer de violência, e que no domingo estará impedido de fazê-lo.

Não (só) pelo preço ou pela carga de ingressos.

Mas pelos princípios enquanto torcedor – sim, até nós temos um limite além do qual não admitimos ser desrespeitados.

De ouvido colado no rádio, estarei torcendo para que neste infeliz 15 de fevereiro os jornais televisivos não tenham que noticiar eventos tristes envolvendo o jogo.

Por mais difícil – e improvável – que isso pareça.

15 Comentários

Arquivado em estádio, ingressos, rivalidade

15 respostas para Noventa

  1. Diogo Marciano

    Sou o outro. O contrário e o igual.

    Aquele que quando você está na laranja, está na amarela.O que disperta medo, tensão, raiva (muita). O motivo de piada ou de apostas a serem pagas. Aquele que é o primeiro que você deseja ver na Segunda-feira, ou o último que você quer ver pro resto da vida.
    Sou o Verde.

    Rival (arquirival, diga-se). Mas, torcedor de futebol. Tanto quanto você.
    Indignado pelos mesmos abusos e descabimentos sofridos nos últimos anos pelo torcedor.
    Ao torcedor de estádio.

    A proibição de bandeiras, faixas, camisas, sob o pretesto do controle da violência – nunca vi alguém levando uma surra de bandeira, pano nao dói e bambu não mata – acinzentou, empobreceu os estádios.
    Como também os emprobreceu os horários absurdos, as cadeiras – nas arquibancadas -, os preços sureais…

    Existe uma única alternativa, uma única forma de luta contra tudo isso: a união dos rivais num devir e objetivo comuns.
    E entendo que as torcidas organizadas – crimilalizadas por “Capez”, “Flávios Prado”, “Dalmos Bozzano” da vida…ainda não sendo estas exemplos de conduta pacífica, o que é discussão pra outro momento – têm um papel fundamental nessa luta.
    Não um papel principal, tão pouco de líder, mas fundamental.

    E acredito que você, Mandioca, também tem um papel fundamental nisso. Escrevendo e divulgando suas idéias e experiências. Cronicando esse cotidiano dos apaixonados pelo futebol.
    Resistindo a sua forma.
    Que outros indignados como você objetivem sua resistência!
    Sejamos resistentes.

    Ainda que seja quase impossível deixar a paixão de lado, e não ver a menina das olhos das tardes de domingo…ainda que seja tão difícil resistir à tentação de ver um PalmeirasXCorinthians num Palestra lotado de alviverdes, e com pouco mais de 2.000 rivais. Amontoados e sofridos.

    Desconsidere o final, deixei a razão totalmente de lado. Rs!

  2. Verdade, mano. O troço chegou num ponto que a indignação toma conta da cidade. A mídia, por sua vez, trata a venda de ingressos com a maior naturalidade e, veja só, estampa que a torcida bambi “esgotou um setor” promocional. Quanto sarcasmo.

    Segunda-feira, pode apostar que a manchete será: “Marginais corinthianos quebram estádio da Copa 2014″. A posturinha ridícula da 3ª (ou seria 4ª?) força de SP em querer aparecer ninguém contesta, porém.

    Abraço!

  3. Alvaro

    Caro Kadj,

    Como sou bem mais velho que você (tenho 51 anos), posso te dizer que você nem era nascido quando ir aos estádios em clássicos era bem melhor do que você mesmo experimentou e sentávamos lado a lado com adversários, sem problemas. Infelizmente os tempos mudaram e não apenas no futebol. A violência grassa e por isso há anos eu e muitas pessoas nos tornamos em apaixonados por futebol exilados, pessoas que só vão a jogos menores ou jogos de uma só torcida. Ou seja, há anos já somos privados dos clássicos e não agora.

    Neste sentido te proponho pensar às avessas de seu raciocínio pois acredito que, de agora em diante, possa haver menos violência e, com isso, mais pessoas voltarão a assistir aos clássicos. Lógico que não neste domingo pela celeuma que se criou mas com o passar do tempo é uma possibilidade. Os 10% de torcida adversária não garantem que não haverá violência mas fica mais difícil imaginar que 10% queiram hostilizar os 90% restantes. A própria polícia apoia a decisão.

    Afora isso, há sim razões econômicas envolvidas que levaram a esta decisão do São Paulo a exemplo dos camarotes, sócio torcedor e setor Visa que dificultam a divisão do estádio. Nos últimos 6 anos, em 14 jogos entre São Paulo e Corinthians no Morumbi a média de público foi é de 29.900 pagantes. A probabilidade desta média aumentar e não diminuir com a volta de torcedores apavorados com a violência é grande.

    Ou seja, a decisão de abandonar a divisão 50/50 que acontece mundo afora poderia ter sido melhor planejada e comunicada mas isso não muda a correção da decisão.

    A lamentar apenas a questão do preço diferenciado dos ingressos. Sendo verdade, isso não se justifica.

    Abraço,

  4. Thiago

    Lembro do primeiro classico que participei, Corinthians X Palmeiras , fui com meu tio. Palmerense e eu Corinthiano, lembro da entrada das bandeiras, dos fogos de artificio, das torcidas gritando, claro a do corinthians o tempo todo…foi um dia espetacular.
    Ai acabaram com as bandeiras , os fogos tb…

    Logico culparam o povo, as torcidas, só faltou dizer matem eles todos…quer dizer nao faltou pois até isso eu ouvi muitos jornalistas dizerem.
    Claro melhor culpar o povo do que o mundo que moramos.

    Agora isso, Vão acabar com as arquibancadas, não sei acho que nem pela TV o povo vai poder ver o seu time do coração, pois para isso logo logo SÓ O PAYPER VIEW transmitira.

    E ai vc vai a uma escola publica e o que encontra ? Não há ensino os alunos não reprovão? que otimo… mas o problema é que eles tb não aprendem, mas realmente MATEM TODOS ELES.

    Vergonha.

  5. Fernando

    Parabéns pelo texto, excelente! Mas confesso que sou a favor da medida. Como disseram acima, a longo prazo, essa medida tende a diminuir a violência e aumentar o público nos clássicos.
    Acho até que veio muito tardiamente tal postura, e que nós poderíamos não ter presenciado ínumeros episódios de selvageria que permearam as últimas 3 décadas.
    Um abraço!

  6. Kadj Oman

    Álvaro e Fernando,

    eu já tinha escrito sobre a questão da violência em meu blog anterior.

    A polícia apóia a decisão porque ela em tese facilita o policiamento no estádio. Só que o jogo não é só no estádio. E em tese porque você pensou só de um lado, dos 10% não atacarem os 90%. O contrário, inclusive, é bem mais provável.

    A violência, aliás, grassa por todo lado, não é exclusividade do futebol. Leia meu texto anterior, “Rumo ao cemitério”, ou o que se encontrar em http://manihot.wordpress.com, “Os bastidores contra o futebol”, e entenderá meu ponto de vista.

    Sobre o aumento corinthiano, falo dele em “Rumo ao cemitério”, leia.

    Por fim, se, como é óbvio, há interesses econômicos por trás da mudança, isso não é em nada tranquilizador, é pior: não bastassem os mesmos interesses forçarem jogos às 22h de quarta-feira (entre outras coisas), agora forçam mais uma medida contrária à tradição do torcedor de futebol.

    Pela terceira vez, leia meu texto anterior, “Rumo ao cemitério”. Nele eu falo sobre tudo isso.

    E me diz, aonde no blog do Birner você viu meu texto ou algum link pra ele?

    Por fim, o fato de ser assim pelo mundo afora não diz muita coisa. Nossa cultura e nossa tradição são uma, a de outros lugares, outra. Além de que mudanças assim servem na verdade pra tapar o sol com a peneira: tentar impedir uma pretensa violência com outra, que é a restrição ao estádio da imensa maioria da população através do preço dos ingressos.

    Leia “Rumo ao cemitério”, está tudo lá.

    Abraços,

    Kadj Oman.

  7. Thiago A L

    E AGORA?
    É POR CAUSA DA “MODERNIZAÇÃO”, TAMBÉM?

    Publicada em 12/2/2009 às 16:19

    São Paulo entrega ingressos ‘batizados’ para o Corinthians

    Timão recebe bilhetes no estilo rolo de bobina. Sem condições de separar, venda é adiada para sexta

    Rodrigo Vessoni
    SÃO PAULO

    Além de limitar a carga de ingressos em 10%, a diretoria do São Paulo resolveu dar trabalho aos responsáveis pela arrecadação do Corinthians. Os bilhetes foram entregues agora pouco, mas vieram “batizados”. Ao LANCENET!, o supervisor Lúcio Blanco explicou:

    - Eles jamais tinham feito isso. Os ingressos vieram grudados, como se fosse um rolo de bobina. Estamos recortando um a um. É humanamente impossível recortar tudo, contar direitinho e separar em pequenos pacotes ainda hoje (quinta). Por isso, disponibilizaremos apenas amanhã (sexta-feira) – explicou Lúcio.

    Centenas de torcedores corinthianos amanheceram nesta quinta-feira nas bilheterias do Parque São Jorge, mas tiveram que ir embora de mãos vazias, porque as entradas ainda não estavam disponíveis para venda.

    Além disso, de acordo com o departamento jurídico do Corinthians, os ingresso afrontam o estatuto do torcedor, já que não não possuem numeração nas filas e cadeira. Os campos estão em branco.

    O clube ainda não sabe se todos os 6.800 ingressos foram enviados. Isso será possível apenas no final da contagem.

    http://www.lancenet.com.br/clubes/CORINTHIANS/noticias/09-02-12/486803.stm?sao-paulo-entrega-ingressos-batizados-para-o-corinthians

  8. Filipe

    Parabéns pelo texto, Mandioca, e pelo pessoal que comenta por aqui.

    Até entendo a lógica dos 10%, o problema é que do jeito que ela está sendo feita, pela juju-cecap, é tenebroso.

    A imprensa afaga tudo isso. E o clubinho da juju-cecap lança uma “nota oficial” para rebater, e nela dizem que a diretoria do Corinthians ‘joga pra torcida’.
    Mentem descaradamente nesta nota, inclusive.

    Não é esse o problema, e essa corja se faz de migué como sempre se faz.
    A torcida comprou o problema, é assim no Corinthians, sempre foi.
    E quando a Torcida encasqueta, sai da frente.

    Se houver tragédia a culpa é toda da juju-cecap. Ela não virá de nossa parte.

    Mas voltando, a lógica dos 10% pressupõe que a minoria deixará de aderir a uma provável violência, o que sabemos que é falácia.

    E mais, quando dizemos que a imprensa afaga, temos que provar: vejam a nota do painel fc da fsp, em que a emboscada que a torcida da juju-cecap só falta ser tratada como um tema pitoresco, alegórico, colorido e purpurinado.
    Se o “jornalista” tem o assunto na mão, rende um retranca, e não só a notinha. Até capa rende. É assim, porém, que o assunto é tratado quando vem de lá.

    Não é engraçado como o lance se mostra disposto a mostrar caçamba a dois quarteirões do Pq Antártica como se fosse um ‘caldeirão de pólvora’, mas sobre as emboscadas dessa torcidinha especificamente, que não é coisa desconhecida, nunca sai um “A”.
    Ou dos terrenos baldios repletos dessas “armas” de “barril de pólvora” na Jules Rimet, Giovanni, J.J.Saad?
    Alguém já viu alguma matéria dizendo que aquele privadão SÓ TEM DOIS ACESSOS para o “anel” superior? Os inúmeros pontos cegos, o quão fora de mão é?
    Ou da aberração que é a avenida que querem fazer passando por cima de Paraisópolis, uma paralela à Giovanni, só para que o privadão tenha um outro acesso? Mais dinheiro público? Esse puteiro não se satisfaz?
    A imprensa afaga…

    Mas falávamos de violência.
    A violência deixou os estádios há muito tempo, e portanto não é mais com isso que o poder público tem que lidar.
    É nas vias, desde zonas leste, norte, sul, oeste, ABC, com um monitoramento real, como é quando o napoletano vai à Milano, o londrino vai à Paris.
    Onde morreu gente em dia de clássico recentemente? Bem longe do estádio. Bem longe mesmo.

    Copiamos o mais fútil – que é o número “10%” – e desprezamos o essencial, que é a política de segurança preventiva em ocasiões assim. De logística para multidões.
    É mais fácil – e mais lucrativo para alguns – manter a multidão em casa.

    A violência deixou os estádios.
    Tiraram o álcool, os fogos, bambu, enfim, conseguiram.
    Agora querem tirar o torcedor de verdade.

    Alguém reparou no público de Brasil X Italia?
    Viu que estavam TODOS em poltronas de couro?
    Pois bem.
    Desculpem se ofendo alguém, mas é só porque defende que me tirem a Arquibancada: SE É PRA FICAR NA ALMOFADINHA, FICA EM CASA.

    E nos devolvam a Arquibancada.

  9. Eric

    Não concordo com o conteúdo do seu texto. Primeiro porque, como o PVC cita em seu blog, esse é o caminho natural dos clubes de futebol, vide o caso do Internacional-RS que tem um patrocínio de R$ 4 milhões anuais e com seus sócio torcedores aumenta essa renda para algo em torno de R$ 20 milhões. O São Paulo objetiva vender pacotes anuais para o máximo de torcedores que conseguir e, esse número, legalmente, é de 90% da capacidade do estádio. Não concordo com o fato de cobrar preços diferenciados para torcedores visitantes, mas concordo muito com a medida. Da mesma forma como o São Paulo sempre foi recebido em outros estádios paulistas e ainda, da mesma forma como foi disputado o último encontro entre São Paulo e Palmeiras no Morumbi pela Libertadores. O sentimento de tranquilidade é muito maior, devo admitir.

    E não acho que nada que o Corínthians (clube ou torcida) faça mudará a situação. Mesmo porque, muitas pessoas estão focando essa decisão no argumento de que a violência será diminuída, porém o grande impulsionador da nova medida é econômico, simples e puramente e, nós brasileiros que vemos nossos craques jogando uma ou duas temporadas (as vezes nem isso) e indo embora, não podemos reclamar de um clube quando este toma uma medida que a longo prazo pode mudar essa realidade. E volto a lembrar que os times com estádios particulares rumam todos a isso, ou vocês acham que na nova arena do Palmeiras o Corínthians terá 50% da carga de ingressos?

  10. Kadj Oman

    Eric, não existe um caminho natural dos clubes.

    Ninguém tira o direito do São Paulo fazer o que quer no seu estádio. O que se lamenta é que o futebol seja sempre determinado pelo econômico e que com isso perca suas tradições. O torcedor sempre perde. O ingresso encarece, as medidas no estádio são restritivas (leia o texto anterior, “Rumo ao cemitério”) e o futebol aos poucos deixa de ser popular.

    De que adianta ter os craques aqui sem poder entrar no estádio pra vê-los jogar ou, ao entrar, ter que ficar sentado como se fosse um teatro?

    A divisão dos clássicos meio a meio é uma tradição brasileira. Está sendo perdida por conta de patrocínios e interesses econômicos, como tantas outras foram. E eu não posso concordar com um interesse econômico que não seja voltado à beneficiar o torcedor, preservar e encorajar sua presença do jeito dele, de acordo com suas vontades, e não impondo regras de comportamento esdrúxulas.

  11. Eu quero minha bandeira, meus fogos e a alegria de volta!

    Quero minha camiseta, meu blusão e meu boné!

    Eu quero meu jornal!

    Eu quero meu ingresso!

    Eu quero ir no jogo.

  12. Eric

    Esse assunto é muito extenso e complexo, daria uma bela e longa discussão. Quanto ao fato de não existe um “caminho natural” dos clubes, você está certo, eu quis dizer que é o rumo mais claro para tornar o esporte lucrativo. Eu só acho que não adianta ter tradição como o Bahia e o Guarani e padecer em séries inferiores do futebol brasileiro. Algumas medidas são necessárias em detrimento da tradição. Quanto ao fato do futebol deixar de ser popular, é uma pena, mas é o rumo de um mundo onde o dinheiro manda.

  13. Pingback: KizombA

  14. Filipe

    Essa medida não vai “mudar realidade” nenhuma.
    Nenhum “craque” permanecerá porque juju-cecap resolveu achar que é arrojada.

    Ela corrobora, acirra e afunda essa realidade, apenas.
    Não adianta resignação: o futebol é geneticamente popular. E essa coisa toda tira o torcedor do estádio, coloca ele pro lado de fora. Pra sempre. Pra nunca mais.

    Se juju não tivesse dado esse tiro no pé, havendo uma final Corinthians X porco, ela SERIA no privadão. Não será mais. Jogaremos meio a meio em Ribeirão, em Prudente, ou 90%/10% uma no Pacaembu outra no chiqueiro.

    Aliás, ninguém mais – a não ser o bambi que tomará prejuízo jogando pra corpos sem alma – jogará lá.

    E eu quero ver a hora que juju perceber que está no Pacaembu, aquele estádio “arcaico”, num caldeirão de verdade.

    O Corinthians, segundo a puta-anã, no painel fc da folha de hoje, é o “cliente” preferencial do puteiro.

    Pois bem.
    Dessa puta não queremos mais nada. Não pagaremos mais à essa puta NADA.

    Sabe o que acontecerá à puta?

    FOME. Porque os alienados formatados ficarão em casa. E se não estiver, o puteiro, na Libertadores?… Ninguém vai ao privadão. A maioria dos borderôs de 4 ou 5 mil pagantes, como ontem, são falsos. Isso a imprensa não fala. Se vão 200 na arquibancada é muito.

    Tiro no pé. Isso sim.

    É como o sujeito ir ao estádio e querer “traqüilidade”. Fica em casa.

    E deixa a Arquibancada em paz, como sempre foi.

  15. Pingback: Sessenta « kadj oman

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