03/07/2009...11:37

O campeão do povo

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Eram 19 minutos e o jogo ainda estava no meio-campo, com faltas e perde-ganha.

Pela esquerda, André Santos anulava D’Alessandro e ainda encontrava tempo, espaço e fôlego – ao que parece, ritmo de jogo conta, pois ao olhar para o outro lado, Kléber e Nilmar não funcionavam – para apoiar.

E foi em um cruzamento perfeito que o lateral-esquerdo da Seleção encontrou Jorge Henrique, o novo baixinho, o coadjuvante que virou herói, livre pra fazer de cabeça o grito guardado desde 2007 ecoar pelo Beira-Rio.

O Inferno colorado, que de tanto respeito ao alvinegro tinha seu capeta vestido de branco como contra o Barcelona em 2006, estarrecia.

Dez minutos depois e o mesmo André Santos, em triangulação rápida que o execelente time de Mano Menezes faz muito bem tanto pela esquerda quanto pela direita, invadiu a área e chutou forte, alto, no canto direito de Lauro. E o que nem mesmo os mais otimistas corinthianos achavam possível acontecia: 2 a 0 ainda no primeiro tempo.

Que só não terminou com placar maior porque Ronaldo desperdiçou grande chance em frente a Lauro.

O Corinthians, disse depois um blog colorado, “parecia o Flamengo de Zico tocando a bola”.

Terminado o jogo, o segundo tempo foi um exercício de paciência. “Um horror”, disse minha avó, “só teve falta e provocação”.

Como a de Cristian ao desabar em campo antes de ser substituído e fazer o que não era muito difícil de prever: D’Alessandro perder a cabeça e ser expulso – e humilhado elegantemente pelo sorriso de Willian ao tentar levá-lo consigo para os vestiários mais cedo.

Houveram, também, dois gols do Inter, na marra e na sorte, com Alecsandro, que serviram para que sua torcida – a parte que permaneceu no estádio – conseguisse ao menos um pouco de alento.

Mesmo sabendo que o jogo já tinha acabado.

Ali, em meio aos dois mil guerreiros de São Jorge que foram à Porto Alegre, vivi dois momentos distintos.

Puro êxtase no primeiro tempo, quase sem voz ao final dele.

E o velho filme-do-que-passou na mente durante o segundo.

Rebaixamento, Olímpico, Série B, Recife.

Meu pai.

E finalmente o Beira-Rio.

Inferno e Paraíso na mesma cidade, em menos de dois anos.

Contrariando as secações e as mandingas.

E até mesmo o imaginário.

Porque para o Corinthians, o Inferno foi azul, e o Paraíso vermelho.

Com um céu, como sempre, alvinegro.

E com mais uma estrela.

O título de um time do povo até a alma: onde o peão se tornou rei com a ajuda do presidente que se tornou só mais um.

jh-r9

8 Comentários

  • Só digo uma coisa: põe esse texto no DVD!

  • É campeão!
    O ano da redenção. O ano do povo.

    Vai Corinthians!

  • Sensacional, adoro ler o que vc escreve!

    Compartilho com vc a parte “E o velho filme-do-que-passou na mente”

    tirou a zica, o peso de tudo que passou.

    E o Coringão voltou! Vai Corinthians!

  • Só digo uma coisa: põe esse texto no DVD![2]

    E eu não sabia que você é o dono desse Blog. rs

  • foi o melhor resumo do jogo que eu li, danilo.

  • Legal esse “time do povo” que paga um milhão de reais por mês ao seu atacante.

    Legal mesmo.

  • lindoooooooo!!!!!

    célia

  • lindoooooo!


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