Eram 19 minutos e o jogo ainda estava no meio-campo, com faltas e perde-ganha.
Pela esquerda, André Santos anulava D’Alessandro e ainda encontrava tempo, espaço e fôlego – ao que parece, ritmo de jogo conta, pois ao olhar para o outro lado, Kléber e Nilmar não funcionavam – para apoiar.
E foi em um cruzamento perfeito que o lateral-esquerdo da Seleção encontrou Jorge Henrique, o novo baixinho, o coadjuvante que virou herói, livre pra fazer de cabeça o grito guardado desde 2007 ecoar pelo Beira-Rio.
O Inferno colorado, que de tanto respeito ao alvinegro tinha seu capeta vestido de branco como contra o Barcelona em 2006, estarrecia.
Dez minutos depois e o mesmo André Santos, em triangulação rápida que o execelente time de Mano Menezes faz muito bem tanto pela esquerda quanto pela direita, invadiu a área e chutou forte, alto, no canto direito de Lauro. E o que nem mesmo os mais otimistas corinthianos achavam possível acontecia: 2 a 0 ainda no primeiro tempo.
Que só não terminou com placar maior porque Ronaldo desperdiçou grande chance em frente a Lauro.
O Corinthians, disse depois um blog colorado, “parecia o Flamengo de Zico tocando a bola”.
Terminado o jogo, o segundo tempo foi um exercício de paciência. “Um horror”, disse minha avó, “só teve falta e provocação”.
Como a de Cristian ao desabar em campo antes de ser substituído e fazer o que não era muito difícil de prever: D’Alessandro perder a cabeça e ser expulso – e humilhado elegantemente pelo sorriso de Willian ao tentar levá-lo consigo para os vestiários mais cedo.
Houveram, também, dois gols do Inter, na marra e na sorte, com Alecsandro, que serviram para que sua torcida – a parte que permaneceu no estádio – conseguisse ao menos um pouco de alento.
Mesmo sabendo que o jogo já tinha acabado.
Ali, em meio aos dois mil guerreiros de São Jorge que foram à Porto Alegre, vivi dois momentos distintos.
Puro êxtase no primeiro tempo, quase sem voz ao final dele.
E o velho filme-do-que-passou na mente durante o segundo.
Rebaixamento, Olímpico, Série B, Recife.
Meu pai.
E finalmente o Beira-Rio.
Inferno e Paraíso na mesma cidade, em menos de dois anos.
Contrariando as secações e as mandingas.
E até mesmo o imaginário.
Porque para o Corinthians, o Inferno foi azul, e o Paraíso vermelho.
Com um céu, como sempre, alvinegro.
E com mais uma estrela.
O título de um time do povo até a alma: onde o peão se tornou rei com a ajuda do presidente que se tornou só mais um.

8 Comentários
03/07/2009 às 11:57
Só digo uma coisa: põe esse texto no DVD!
03/07/2009 às 11:58
É campeão!
O ano da redenção. O ano do povo.
Vai Corinthians!
03/07/2009 às 16:07
Sensacional, adoro ler o que vc escreve!
Compartilho com vc a parte “E o velho filme-do-que-passou na mente”
tirou a zica, o peso de tudo que passou.
E o Coringão voltou! Vai Corinthians!
03/07/2009 às 22:30
Só digo uma coisa: põe esse texto no DVD![2]
E eu não sabia que você é o dono desse Blog. rs
06/07/2009 às 22:26
foi o melhor resumo do jogo que eu li, danilo.
07/07/2009 às 19:15
Legal esse “time do povo” que paga um milhão de reais por mês ao seu atacante.
Legal mesmo.
09/07/2009 às 9:41
lindoooooooo!!!!!
célia
09/07/2009 às 9:43
lindoooooo!