Domingo, saindo do Pacaembu com uma amiga com a cabeça cheia pela goleada sofrida, coisa que há muito não via acontecer em casa, reparamos num amontoado de gente apontando pra um cantinho junto à parede. Passo olhando pra ver o que é e qual não foi minha surpresa ao constatar que havia um pequeno gato acuado junto a uma dobra no muro.
Agachei e tentei tocá-lo, mas o bichano estava com muito medo e tentava me atacar. Aos poucos, fui ganhando sua confiança, e fiquei ali uns bons 15 minutos sentado no chão fazendo-lhe carinho. Enquanto isso, esperava o estádio esvaziar e protegia o pequeno animal da curiosidade de crianças pequenas – que poderiam facilmente ter tomado uma bela unhada – e de marmanjos e donzelas que exprimiam, cada qual a seu tom de voz, “oooooooun, um gatinho”.
Uma delas, inclusive, alertou para o fato de que provavelmente era uma gatinha, uma vez que tinha três cores e machos com três cores são raríssimos. Pedi a minha amiga para encontrar uma caixa de papelão em alguma das lanchonetes do estádio e, com o Pacaembu já quase vazio, me arrisquei para pegar a gatinha pelo cangote e colocá-la na caixa.
Rumando com a bichana em direção ao último portão aberto do estádio, disse à minha amiga:
- Essa já tem nome: Zica. Tirei a Zica do Pacaembu.
Cheguei em casa com minha nova companheira e tive que trancá-la no banheiro, uma vez que não sabia a reação que teriam Branca e Boquita, as gatas, e Preta, a cachorra que já tenho por aqui. Tratei de arrumar-lhe uma caixinha com pano, comida, água e um pouco da areia das outras gatas, e fui ao computador ver se encontrava algum amigo veterinário online para umas dicas.
Nesse meio tempo, nenhum veterinário online, consegui, mesmo sem ter a intenção definida de doá-la, duas potenciais donas para a Zica. E já planejava o atraso no trabalho no dia seguinte para levá-la ao veterinário.
Só que, como todo torcedor apaixonado está cansado de saber, zica não se controla tão fácil assim.
Do quarto, ouvi um barulho na área e fui ver o que passava. Era ela.
Tinha forçado o trinco quebrado da janela do banheiro, a qual eu tinha deixado meio aberta para que entrasse ar, e fuçava pela área amedrontada pela Preta, que não queria mais do que cheirá-la, e pela novidade do lugar desconhecido.
Me aproximei e a Zica pulou na janela. Como já tenho animais em casa, entretanto, as janelas tem rede. Mas Zica é pequena e esguia e se enfiou entre o vidro e a rede propriamente dita. Tive que abrir a janela para tentar pegá-la, e com o movimento, por mais que eu tenha me esforçado em ser sutil, ela se assustou e passou a cabeça pela rede. Ao sentir-se presa, forçou o resto do corpo e foi-se telhadinho afora. Entrou pela janela do depósito da loja de peças automotivas que fica ao lado do meu prédio, a única saída possível daquele telhado.
Aborrecido, dormi mal, pensando apenas em bater na loja ao lado no dia seguinte pela manhã na esperança de reaver a Zica. Não poderia deixá-la correndo o risco de retornar às ruas – vai que ela volta pro Pacaembu…
Mas pela manhã descobri que o depósito tinha trocentas caixas e que a Zica provavelmente estaria perdida ali no meio. Deixei meu telefone e fui trabalhar. Só conseguia pensar na pobre gatinha assustada.
Quase no final do expediente, meu telefone toca e, pela primeira vez nas últimas 6 ligações, não é minha mãe: é o porteiro do prédio dizendo que encontraram a Zica, mas que esta fugiu de volta pro telhado e se enfiou numa caixa d’água abandonada.
Voei pra casa para ver aonde tinha se enfiado a gatinha e constatei que dali era impossível tirá-la. Por onde entrara não cabia um corpo humano, nem o meu, magro que sou. E me resignei a esperar que saísse, talvez retornasse à loja, e finalmente fosse capturada.
Até que a amiga que encontrou a Zica junto comigo ligou e disse que sua mãe tinha uma armadilha para gatos. Consistia numa gaiola em que jazia dependurado um pequeno gancho onde se podia prender um pedaço de carne de modo que, quando o gato o mordesse e puxasse, a gaiola se fecharia. Içei a armadilha terraço do prédio abaixo até o telhadinho e deixei ela lá.
De 17h30 até 22h ouvia a gata miar. Devo ter incomodado o porteiro pedindo para entrar no porão do prédio, onde ela dificilmente estaria mas podia estar, umas quinze vezes, e nada. De 20 em 20 minutos olhava pela janela e a carne estava lá, pendurada. Precisava me distrair.
Fui ver televisão, entoando mentalmente como se fosse escanteio para o adversário no Pacaembu:
- Sai, Zica! Sai daí!
Até que, telefone em punhos, enquanto conversava com uma amiga aniversariante*, vejo a Preta correr até a área e escuto um miado mais forte. Fui olhar e era a Zica: tinha caído na armadilha!
A fome havia vencido o medo da bichana, assim como a fé da torcida (quase) sempre vence as cabeçadas à meta de nosso arqueiro durante os jogos.
Subi com ela de volta ao banheiro e dessa vez fechei bem a janela. Não só a de lá mas todas as da casa. E tratei de alimentar a danada, que com a comida ficou um pouco menos arisca e até me deixou pegá-la no colo.
Ainda não sei se vou ficar com ela, vai depender da aceitação do resto da população animal que comigo habita. De certa forma seria interessante que fosse domada e por aqui ficasse. Conviver com a Zica antecipadamente seria um bom treinamento prévio para a Libertadores 2010. Mas caso não dê certo, com certeza a gatinha irá para as mãos de alguma companheira de arquibancada, das duas que já se interessaram pela bichana.
Porque com a Zica, você sabe, tem-se que ter muito cuidado.
Ainda mais às vésperas do centenário.
E ninguém melhor pra cuidar da Zica do que quem já está mais do que acostumado com isso, anos e anos fazendo parte da massa sofredora que não à toa é conhecida a todo lado por Fiel Torcida.
***
*A Zica do Pacaembu, em homenagem à aniversariante Renata, que comigo falava ao telefone quando a bichana finalmente caiu na armadilha, levará seu nome como sobrenome. De forma que nos próximos jogos, no lugar do “sai, zica!” de sempre, gritarei com toda a certeza do mundo de que a bola irá pela linha de fundo:
- Sai, Renata!
34 Comentários
22/09/2009 às 0:41
Muito bom (a estória e o texto)!! Essa zica tem que ser bem cuidada e bem longe do Pacaembu. Abraços
22/09/2009 às 0:47
Muito bom o texto!
Que a zica sempre ronde o Pacaembu nos jogos do seu Timão, e que a Zica esteja sempre em boas mãos.
Abraços tricolores
Foca
22/09/2009 às 1:08
Meu, amei o post. A parte das ligações eu ri sozinha… é muito da sua mãe ligar várias vezes! hahahahaha… Tomara que agora a Zica fique mais sossegada e encontre um lar! Se não ficar contigo, tira uma foto para vermos a carinha dela. Afinal, quem nunca quis ver que cara tem a Zica?
=D
Beijo
22/09/2009 às 7:23
Cara, que máximo!
Amei esse post, vou passar a frequentar esse blog!
22/09/2009 às 10:32
Rapaz… Me fez lembrar de três “zicas” caninas recém nascidas que meu sobrinho mais velho levou pra casa, achando no caminho de volta da escola pra casa…
Parabéns pela história, cara!
22/09/2009 às 11:32
mandz, fazia tempo que eu não passava por aqui.
da hora, adorei!
beijo
22/09/2009 às 11:35
Valeu Cris! =)
22/09/2009 às 11:35
Opa, obrigado. Volte sempre sim! =)
22/09/2009 às 11:35
Hehehe, a fama da dona Célia vai loooonge…
22/09/2009 às 11:36
Sai pra lá, vai rondar Pacaembu nenhum não!
22/09/2009 às 11:36
Hehehe, assim será.
22/09/2009 às 11:58
Muito bom texto.
Mas tudo isso para não falar dos 1 X 4???!
hahaha
abraço
22/09/2009 às 12:04
Hahaha. Não, eu realmente achei a gatinha! Os 1 x 4 nem precisa falar nada, só lamentar.
23/09/2009 às 10:35
Que bom texto amei ele ficou muito legal
Parabéns eu gostei muito
23/09/2009 às 10:36
Essa historia é muito legal,gostei muito dela essa historia é muito suave
23/09/2009 às 10:36
prof Rodrigo mandou deixar um recado meu nome é Edmilson o Ronaldo tem que jogar melhor para nos corinthianos te que ganha esse campeonato brasileiro….fuiiiiii…..
23/09/2009 às 10:39
Quem é professor Rodrigo?
23/09/2009 às 10:39
professor rodrigo mandou deixar um recado meu nome e lucas o hernandes é bom no são paulo…
23/09/2009 às 10:40
Parabéns pelo texto ficou bem legal
Chamou muita a minha atenção
Adorei☺♥♦○◘♥☻◘○
23/09/2009 às 10:42
o prof rodrigo é o Bona e falou que o corinthias é um time badaroza
23/09/2009 às 10:42
o prof rodrigo é o Bona e falou que o corinthias é um time badarosca
23/09/2009 às 10:42
oi meu nome é giovanna o prof rodrigo ( bona)pedio para nós dixa rados o seu texto é muito legal thal
23/09/2009 às 10:43
mandioca o prof°Rodrigo mandou eu te mandar um recado meu nome é webson e nois é zika sendo corinthiano sou corinthiano sangue roxo na veia até morrer…………é noisssssssssssssssss zika…..do pacaembu…
23/09/2009 às 10:43
Hahaha, bem que eu desconfiava. Manda um abraço pro Bona e diz que o freguês tem sempre razão!
23/09/2009 às 10:46
Que legal o corinthians e mal né
E eles jogam mal domingo eles vão perder
kkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
23/09/2009 às 10:46
Valeu, alunos do Bona, pelos comentários.
Um abraço, Mandioca.
23/09/2009 às 10:48
Que legal o corinthians e mal né
E eles jogam mal domingo eles vão perder
23/09/2009 às 10:49
gostei do seu texto voce esta de parabens mas o timao esta ruin em
23/09/2009 às 10:49
gostei do seu texto parabens nota 10 para voce
(♥)_(♥) =^_^= mais Ø cØrinthias é uma badarosca sao paulØ vai te golea domingo nao chora nao tá esse time e um lixo troca de time exenplo sao paulo shua shua shua shua shua tichal mandioca ¶
23/09/2009 às 10:50
eu não te conheço, mas vc é muito bom escritor.
tchau, te amo
luluzinha
23/09/2009 às 10:59
o texto é muito bom né vc deve saber muito mais né ? vc sabe fazer mais coisas.
23/09/2009 às 11:00
é noisss
queirois
23/09/2009 às 11:02
Nós achamos muito legal e interesante ,
parabéns pelo texto, vc é um grande autor ,vc pode escrever um livro e pode ser muito famoso.Que tenha um ótimo futuro e boa sorte!
bjossssssssssssss
♥♣
24/09/2009 às 17:28
Voce é muito bom, Mandiz!!!
Abçs
Titiu Matusa