Arquivo do mês: julho 2009

Dia do Corinthians

Acessem e divulguem.

http://diadocorinthians.com.br/

E fiquem na expectativa.

Semana que vem, o lançamento oficial.

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Uma volta alternativa pelo futebol europeu

O Mau, guitarra do Fora de Jogo (banda só sobre futebol que eu faço parte) e blogueiro do Santo André no globoesporte.com, acabou de voltar de um rolê da Europa e está escrevendo no outro blog dele, que é totalmente excelente, sobre os rolês boleiros que deu.

O blog por si só já é muito bom, ele conta sua busca pela “lenda das 1000 camisas”, cada dia posta uma camisa da coleção dele e conta a história do clube, da torcida, curiosidades.

Agora com esse rolê na Europa, tá contando algumas coisas também das cidades por onde passou e encontros que teve com jogadores sem querer.

Fora um quadrinho que ele achou por lá cujo personagem principal é um jogador veterano do Barcelona, fantástico!

Leiam clicando aqui, vale a pena.

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Vítimas da exploração

EXCELENTE artigo do amigo geógrafo, jornalista e técnico do nosso time na faculdade Paulo Fávero, publicado no Universidade do Futebol.

Vítimas da exploração
Jovens são tratados como mercadoria na ilusão de um dia serem profissionais do futebol
Paulo Miranda Fávero

Seja na infância ou na idade adulta, a exploração do jogador de futebol se dá por diversas maneiras. A noção de liberdade é uma ilusão necessária no capitalismo e o jogador não tem autonomia da escolha. Dentro do sistema Fifa, se ele quiser atuar profissionalmente, terá de fazer sob contrato de algum clube regularizado. Por isso existe um mercado paralelo para viabilizar esse sonho.
 
O jovem M. (o nome será omitido a pedido do próprio entrevistado) revela como funciona um esquema para profissionalizar atletas. No caso específico de M., foi pago R$ 3.000,00 para um ex-jogador fazer o processo de profissionalização. “Eu dei cópia dos meus documentos, foto e assinei os contratos da CBF. Não precisei fazer exame médico, foi tudo arranjado. Quem deu a grana foi um amigo, que acha que eu tenho condições e investiu em mim. Mas fazendo testes nos clubes, alguns moleques me falaram que dava para fazer tudo por apenas R$ 1.500,00”, conta.
 
M. tinha 25 anos na época, 1,76m de altura e pesava 52 quilos. Além de não ter o porte atlético para um jogador profissional, tem uma idade já avançada para iniciar uma carreira nos campos de futebol. “Neste mundo em que tudo se dá um jeitinho, sempre fica um fundinho de esperança. A gente vê tanto jogador ruim na TV que acha que consegue. Mas pensando racionalmente, eu acho que não tenho condições. Como um amigo se dispôs a pagar para mim, aceitei. E é assim que funciona”, comenta.
 
Mas quando M. quis disputar competições amadoras, que envolvem milhares de pessoas em todos os lugares, os famosos jogos de várzea, descobriu que não podia mais: ele era profissional. “Agora, para poder atuar nestes campeonatos, preciso pagar R$ 100,00, para fazer o que eles chamam de reversão, ou seja, voltar a ser amador”, explica. O registro de M. foi feito em um clube do interior paulista e seu nome saiu no BID, o Boletim Informativo Diário da CBF. E M. até indica o caminho para aqueles que sonham em se consagrar nos gramados. “Muita gente que eu troquei idéia faz um DVD com seus melhores momentos. Isso ajuda muito e o cara pode até conseguir uma transferência para o exterior”, diz.
 
 
Quanto os capitalistas precisam pagar para obter os direitos relativos à força de trabalho, e o que, exatamente, esses direitos abrangem? As lutas sobre o índice salarial e sobre as condições de trabalho (a extensão do dia útil, a intensidade do trabalho, o controle sobre o processo laboral, a perpetuação das habilidades etc.) são, em conseqüência, endêmicas com respeito à circulação do capital (HARVEY, 2005, p. 132).
 
 
É inevitável que em plena sociedade do espetáculo muitas crianças tenham a ilusão de um dia tornarem-se atletas de futebol. Como foi exposto, existe um mercado voltado para suprir as demandas pelos craques, mas que dá as costas àqueles que não deram certo na profissão. Harvey aponta que a força de trabalho é uma mercadoria, e assim também é qualificada como uma forma de propriedade privada. Mas num mundo em que ninguém pode atentar contra a propriedade privada alheia, o jogador, seja ele criança ou adulto, não tem direitos exclusivos de venda de sua própria força de trabalho, como qualquer outro trabalhador, e ele mesmo já se tornou uma mercadoria para ser consumida.
 
Hoje, muitos desses jogadores são como as vedetes citadas por Guy Debord: eles têm um papel a desempenhar e vivem na aparência. São o contrário do indivíduo e preferem ficar com a personagem de si mesmo. Quando olham para o espelho, preferem ser a imagem refletida, como nos aponta Lefebvre[1]. É uma vida aparente sem profundidade, mas eles se satisfazem por receberem o “direito de imagem” que o clube paga. “As pessoas admiráveis em quem o sistema se personifica são conhecidas por aquilo que não são; tornaram-se grandes homens ao descer abaixo da realidade da vida individual mínima. Todos sabem disso” (DEBORD, 2002, p. 41).
        
Na própria linguagem do futebol, os jogadores são considerados mercadoria: “(…) os demais agentes referem-se a eles, seguidamente, como mercadorias: ‘fulano custou x’, ‘com fulano o clube faturou x’, ‘fulano foi comprado por x, mas não vale y’ e assim por diante” (DAMO, 2005, p. 340). Até quando a sociedade irá olhar para isso como se nada estivesse acontecendo?
 
 
Bibliografia
 
DAMO, Arlei Sander. Do Dom à Profissão. Uma Etnografia do Futebol de Espetáculo a Partir da Formação de Jogadores no Brasil e na França. 2005. 435 f. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, 2005.
 
DEBORD, Guy. Sociedade do Espetáculo. Comentários Sobre a Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
 
HARVEY, David. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005.
 
 
*Paulo Fávero é jornalista, geógrafo, mestrando em Geografia Humana na FFLCH-USP com apoio do CNPQe pesquisador do Gief (Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre o Futebol).


[1] Informação extraída de uma tradução não-oficial do capítulo O Espaço Contraditório, do livro A Produção do Espaço, de Henri Lefebvre.

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Corinthians, Corintian… Coritan?

por Kadj Oman

Corinthians tem 11 letras.
Uma para cada posição no campo.
Incluindo aí um H aparentemente sem função e um S que, dizem, foi ganho com o tempo por conta dos jornais que tanto chamavam os jogadores do inicialmente Corinthian de “os Corinthians”.
H e S que todo corinthiano – com H! – sabem onde ficam e fazem questão de não esquecer. Porque é sua história, seu DNA.
Em 2009, o torcedor alvinegro tinha também 11 jogadores titulares que não só sabia escalar na ponta da língua como sentia confiança em ter em campo.
Felipe; Alessandro, Chicão, Willian e André Santos; Cristian, Elias e Douglas; Jorge Henrique, Ronaldo e Dentinho.
Um time que, pra além da segurança de um time muito bem treinado e entrosado, simbolizava para a torcida o que ela mais preza no clube: o trabalho coletivo.
Porque mesmo com alguém do quilate de Ronaldo, o futebol da equipe não apresentava dependência de um ou outro jogador, nem girava em torno deste ou daquele.
A bola era dividida quase que igualmente, jogo a jogo, pelos 11.
Como reza o lema mosqueteiro, mascote do time: um por todos, todos por um.
E nenhum a menos.
Foi com esse jogo coletivo que o time levantou duas taças, uma invicto.
Entrou pra história, e pro Brasileiro desse ano com força.
A torcida, como há muito não se via, sentia orgulho de ter um time em campo que lhe remetia a esquadrões passados de grandeza semelhante, sem grandes destaques individuais, com muita dedicação e raça.
Bradava-se pelos quatro cantos que esse time tinha grandes chances no ano do centenário do clube de conquistar o inconquistável, escalar o Everest corinthiano: a Taça Libertadores da América.
A diretoria dizia que não perderia ninguém, que a base era essa, que seria mantida.
E o discurso se repetia dos vestiários às arquibancadas.
Mas nem tudo era monotônico nessa história.
Havia, claro, o torcedor desconfiado.
Aquele que lembra que Andrés Sanchez fez parte da diretoria que compactuou com a MSI.
Aquele que lembra que o clube tem uma dívida de R$ 100 milhões.
Aquele que sabe que discurso no futebol não vale nada.
Aquele que foi o primeiro a gritar “eu já sabia” quando, dez dias antes da abertura da temida janela de transferências – nome bonitinho que se dá pr’aquele período de pesca predatória onde a Europa trabalha com afinco para a manutenção de forças no futebol mundial tirando os bons valores da América, como fez com nosso ouro e prata séculos atrás – veio o anúncio da venda para o Fenerbahçe, da Turquia, na primeira oferta que apareceu, de dois jogadores do elenco vitorioso: Cristian, a alma do time, o volante que fez o torcedor lembrar de Ezequiel e Zé Elias, o H de Corinthians e de corinthiano que guarda o meio e a memória do clube, e André Santos, o habilidoso, o S conquistado no final do nome, o mesmo S da Seleção Brasileira da qual fez parte na última Copa das Confederações.
E o corinthiano, do mais deslumbrado ao mais reticente, sofreu duro golpe.
Teve dificuldades pra dormir.
Porque seu Corinthians virava Corintian assim, na primeira investida estrangeira.
No lugar da força e da segurança, do orgulho no time, veio o medo.
De voltar ao mais do mesmo.
De ver seu patrimônio lapidado de novo.
De virar Coritan.
Mas, em tempos de adversidade, sempre houve no meio da massa alvinegra um sentimento de superação.
De quem ficou 23 anos sem ganhar nada e nunca se ausentou.
De quem viveu 2007 com a certeza de que depois viria 2008, 2009, 2010 e o Corinthians continuaria sendo Corinthians.
De quem sabe que no Parque São Jorge o nome na frente da camisa vale mais que o de trás.
Pois ser Corinthians, se sabe, é ser sofredor.
E guerreiro.
Então, corinthiano, não se deixe levar com André e Cristian para a Turquia.
Eles se vão, mas você, como sempre, fica.
Como sempre ficou.
E como sempre ficará.
Dói perder a alma do time, é verdade.
Dá medo não saber quem entrará em campo no próximo jogo depois de tanto tempo tendo a escalação de cor na cabeça.
Mas o que há de eterno em nossos corações você sabe, e bem sabe, é o Corinthians.
A camisa, a tradição, a história.
Então, cabeça erguida!
E olhos abertos.
Porque se não devemos chorar por quem sai, também não podemos assistir passivamente ao processo.
Corinthians é luta, então que lutemos pelo que é nosso.
Com o H e o S em seus devidos lugares.

Corinthians tem 11 letras.

Uma para cada posição no campo.

Incluindo aí um H aparentemente sem função e um S que, dizem, foi ganho com o tempo por conta dos jornais que tanto chamavam os jogadores do inicialmente Corinthian de “os Corinthians”.

H e S que todo corinthiano – com H! – sabem onde ficam e fazem questão de não esquecer. Porque é sua história, seu DNA.

Em 2009, o torcedor alvinegro tinha também 11 jogadores titulares que não só sabia escalar na ponta da língua como sentia confiança em ter em campo.

Felipe; Alessandro, Chicão, Willian e André Santos; Cristian, Elias e Douglas; Jorge Henrique, Ronaldo e Dentinho.

Um time que, pra além da segurança de um time muito bem treinado e entrosado, simbolizava para a torcida o que ela mais preza no clube: o trabalho coletivo.

Porque mesmo com alguém do quilate de Ronaldo, o futebol da equipe não apresentava dependência de um ou outro jogador, nem girava em torno deste ou daquele.

A bola era dividida quase que igualmente, jogo a jogo, pelos 11.

Como reza o lema mosqueteiro, mascote do time: um por todos, todos por um.

E nenhum a menos.

Foi com esse jogo coletivo que o time levantou duas taças, uma invicto.

Entrou pra história, e pro Brasileiro desse ano com força.

A torcida, como há muito não se via, sentia orgulho de ter um time em campo que lhe remetia a esquadrões passados de grandeza semelhante, sem grandes destaques individuais, com muita dedicação e raça.

Bradava-se pelos quatro cantos que esse time tinha grandes chances no ano do centenário do clube de conquistar o inconquistável, escalar o Everest corinthiano: a Taça Libertadores da América.

A diretoria dizia que não perderia ninguém, que a base era essa, que seria mantida.

E o discurso se repetia dos vestiários às arquibancadas.

Mas nem tudo era monotônico nessa história.

Havia, claro, o torcedor desconfiado.

Aquele que lembra que Andrés Sanchez fez parte da diretoria que compactuou com a MSI.

Aquele que lembra que o clube tem uma dívida de R$ 100 milhões.

Aquele que sabe que discurso no futebol não vale nada.

Aquele que foi o primeiro a gritar “eu já sabia” quando, dez dias antes da abertura da temida janela de transferências – nome bonitinho que se dá pr’aquele período de pesca predatória onde a Europa trabalha com afinco para a manutenção de forças no futebol mundial tirando os bons valores da América, como fez com nosso ouro e prata séculos atrás – veio o anúncio da venda para o Fenerbahçe, da Turquia, na primeira oferta que apareceu, de dois jogadores do elenco vitorioso: Cristian, a alma do time, o volante que fez o torcedor lembrar de Ezequiel e Zé Elias, o H de Corinthians e de corinthiano que guarda o meio e a memória do clube, e André Santos, o habilidoso, o S conquistado no final do nome, o mesmo S da Seleção Brasileira da qual fez parte na última Copa das Confederações.

E o corinthiano, do mais deslumbrado ao mais reticente, sofreu duro golpe.

Teve dificuldades pra dormir.

Porque seu Corinthians virava Corintian assim, na primeira investida estrangeira.

No lugar da força e da segurança, do orgulho no time, veio o medo.

De voltar ao mais do mesmo.

De ver seu patrimônio lapidado de novo.

De virar Coritan.

Mas, em tempos de adversidade, sempre houve no meio da massa alvinegra um sentimento de superação.

De quem ficou 23 anos sem ganhar nada e nunca se ausentou.

De quem viveu 2007 com a certeza de que depois viria 2008, 2009, 2010 e o Corinthians continuaria sendo Corinthians.

De quem sabe que no Parque São Jorge o nome na frente da camisa vale mais que o de trás.

Pois ser Corinthians, se sabe, é ser sofredor.

E guerreiro.

Então, corinthiano, não se deixe levar com André e Cristian para a Turquia.

Eles se vão, mas você, como sempre, fica.

Como sempre ficou.

E como sempre ficará.

Dói perder a alma do time, é verdade.

Dá medo não saber quem entrará em campo no próximo jogo depois de tanto tempo tendo a escalação de cor na cabeça.

Mas o que há de eterno em nossos corações você sabe, e bem sabe, é o Corinthians.

A camisa, a tradição, a história.

Então, cabeça erguida!

E olhos abertos.

Porque se não devemos chorar por quem sai, também não podemos assistir passivamente ao processo.

Corinthians é luta, então que lutemos pelo que é nosso.

Com o H e o S em seus devidos lugares.

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Passa Palavra 5

O Passa Palavra continua com seu Especial Futebol e Política.

O texto, dessa vez, é assinado por Tatiana Melim e trata da relação entre mídia e torcida.

Leia aqui.

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Violência no futebol em números

Fora algumas babaquices no fim do texto como ligar a venda de cerveja à violência de forma direta, o estudo parece ser interessante e importante. Até por mostrar que a violência acontece na maioria dos casos entre gente que não é considerada “marginal” por seu histórico, seja lá o que isso signifique na cabeça desses sociólogos.

Vale a pena ler.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/07/19/ult5772u4685.jhtm

19/07/2009 – 13h35
Brasil lidera ranking de mortes em confrontos no futebol, aponta estudo

Elaine Patricia Cruz
Da Agência Brasil

Nos últimos dez anos, 42 torcedores morreram em conflitos dentro, no entorno ou nos acessos aos estádios de futebol. Os dados foram contabilizados e estudados pelo sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universo, Maurício Murad, baseado em dados fornecidos por jornais, revistas e rádios das principais cidades do país entre os anos de 1999 e 2008. As informações foram mais tarde checadas nos Institutos Médico Legais (IMLs) e nas delegacias de polícia das cidades onde as mortes ocorreram.

“Quando começamos a fazer o levantamento, o Brasil estava em terceiro lugar na comparação com outros países no número de óbitos. A ordem era Itália, Argentina e Brasil. Hoje, dez anos depois, o Brasil conquistou o primeiro lugar. É uma conquista trágica, perversa”, afirmou o professor.

Segundo ele, essa constatação deveria ser uma grande preocupação para um país que vai abrigar um grande evento como a Copa do Mundo de 2014. “Essa violência é uma preocupação para a Copa porque, de todos os problemas que a Fifa [Federação Internacional de Futebol] acompanha, e de tudo o que o caderno de exigências para a Copa do Mundo determina, a segurança pública é um dos principais. O problema da segurança pública é da maior importância para a Copa do Mundo.”

O fato do Brasil estar ocupando o trágico primeiro lugar no número de óbitos em conflitos de torcedores deve-se, segundo o professor, ao fato de não ter ocorrido aqui uma reação a esse tipo de violência, tal como fez a Itália, promovendo reformas na legislação até para punir os dirigentes que incitam a violência. “No Brasil, infelizmente, não houve reação satisfatória e consistente”, concluiu.

Um outro dado alarmante da pesquisa, segundo o sociólogo, é que a proporção dos óbitos vem aumentando nos últimos cinco anos. Se no período de dez anos a média é de 4,2 mortes a cada ano, no período entre 2004 e 2008 o número de mortos totaliza 28 -uma média de 5,6 mortos por ano. A proporção é ainda bem maior se contabilizados apenas os dois últimos anos: 14 mortes ocorreram entre 2007 e 2008, uma média de sete mortos por ano.

“Significa não só que a soma dos óbitos é uma coisa preocupante, alarmante e que tem que ser vista, estudada e contida, como também que a proporção, nos últimos dez anos, é crescente e, portanto, muito mais preocupante”, definiu.

Mas a violência não é algo típico apenas do mundo esportivo. “Cresceu a violência no futebol porque cresceu a violência no país. E cresceu a violência no país porque a impunidade e a corrupção são cada vez maiores”, concluiu o sociólogo.

Além do crescimento do número de mortos em conflitos esportivos nos últimos anos, a pesquisa também verificou mudanças na forma dessa violência. Se antes as mortes ocorriam por quedas ou brigas, hoje elas ocorrem geralmente por armas de fogo.

Outro dado novo que foi observado nos últimos anos de pesquisa é a marcação dos conflitos e das tocaias contra grupos de torcedores rivais por meio da internet e do site de relacionamentos Orkut.

A maior parte dos mortos, de acordo com a pesquisa, era composta por jovens entre 14 e 25 anos, de classe baixa ou média baixa, com escolaridade até o ensino fundamental e, em geral, desempregada. E também foi constatado que, em grande parte, esses torcedores não eram ligados a práticas de violência.

“Em quase 80% dos óbitos, as pessoas não tinham nenhuma ligação com setores violentos ou delinquentes de torcidas organizadas. Apenas em 20% é que os óbitos eram de pessoas ligadas a grupos de vândalos”, afirma Murad.

Segundo ele, o futebol reproduz de forma cruel e perversa a situação do país, onde a violência é crescente e vitimiza muito mais as pessoas não ligadas aos grupos delinquentes. “Uma morte já é gravíssima, mas a morte de um inocente, que não está ligado a práticas de violência e que foi ao estádio para se divertir e que foi com sua família para torcer pelo seu time é muito mais grave”, ressalta.

A pesquisa de Murad propõe como soluções de combate a essa violência nos esportes, no curto prazo, ações mais repressivas tais como a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios; o controle da venda de ingressos, proibindo a ação de cambistas, e o aumento da oferta do transporte coletivo principalmente na saída dos estádios.

“Chegar aos estádios, cada um chega mais ou menos numa hora, mas sair, sai todo mundo junto. Ali é que mora o perigo. E quanto mais rápido a multidão escoar, menor é a possibilidade de violência, de roubo e de brigas”, conclui.

As ações mais efetivas para o combate à violência, no entanto, são as de médio e longo prazo. Aqui, Murad cita como soluções as campanhas educativas que possam voltar a atrair as famílias para os estádios. “É preciso aumentar, com ingressos promocionais, a ida de mulheres, famílias e de pessoas da terceira idade e de crianças aos estádios porque esses grupos naturalmente neutralizam e isolam esses grupos violentos”, afirmou.

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O Cruzeiro e o real

Eu não tenho curtido muito o Juca Kfouri, mas esse texto é animal.

Leitura obrigatória!

JUCA KFOURI

O Cruzeiro e o real

Mais que a derrota na final da Libertadores, importa considerar como a decisão foi tratada aqui no Brasil

O BRASIL não é o país do futebol. É o maior vencedor e o maior celeiro, mas mais países do futebol são a Inglaterra, a Argentina, a Itália.
Aqui não se cultiva O JOGO, não se trata o futebol com reverência, não se dá a ele a liturgia que merece.
No máximo é visto como paixão e entretenimento, pois até como negócio é maltratado.
Prova disso, mais uma vez, foi que na maior noite do futebol no continente outras seis partidas do campeonato nacional rivalizavam com a decisão da Libertadores, num desrespeito à grandeza do que acontecia no Mineirão.
E o eixo Rio-São Paulo nem sequer recebeu a transmissão do evento internacional pela TV aberta, algo simplesmente impensável na Europa, na Liga dos Campeões.
É ululante que o torcedor prefira ver seu time em ação a qualquer outro, por mais importante que seja a disputa em que este esteja.
Razão pela qual, em nome do JOGO, há que se tratar de maneira diferente aquilo que é mesmo diferente, raro, que acontece, no máximo, uma vez por ano, quando acontece, no dito país do futebol.
A dor da maioria, a festa da minoria, a primeira apoteose, a virada dramática, os ingredientes todos que fazem do JOGO o mais popular e mais democrático do mundo (só nele alguém com o físico de Diego Armando Maradona pode ser o número 1) deveriam ter sido tratados com o devido respeito, para que as gerações se sucedam na perpetuação de seus vínculos e não apenas como a repetição do ganhar, do perder ou do empatar.
Quem não entende que o estádio tem um quê de templo, que aquele cimento é um território sagrado, que aquela grama é a mais especial que há na face da Terra, não está entendendo nada do que fala a linguagem do JOGO.
São meros burocratas, gente capaz apenas de pensar da mão para a boca, sem nenhuma preocupação com o futuro, porque, afinal, estarão tão mortos amanhã como estão hoje em sua mediocridade.
Quem não viu ou não teve como ver os 90 minutos de tensão disputados por Cruzeiro e Estudiantes na última quarta-feira perdeu a chance de viver com a camisa celeste a angústia de um épico tal e qual teria vivido com as cores do seu time de coração. E perdeu a chance de ser solidário, de ser generoso, de se sentir protagonista de um momento especial na vida do JOGO.
É de se lamentar, enfim, que o pragmatismo do dinheirismo insuflado pela batalha das audiências chegue ao ponto de fazer tábula rasa de momentos sagrados, como uma decisão de copa continental.
Razão pela qual o velho escocês Bill Shankly, saudoso técnico e gerente do Liverpool quando o time inglês dominou a Europa, deve mesmo ser imortalizado pela frase que consagrou: “É claro que o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso…”.
Um dia, quem sabe, haverá, no Brasil, dirigentes e não cartolas, executivos e não burocratas na administração do JOGO e de tudo que o cerca, para que nunca mais ninguém seja privado de ver o essencial em nome do circunstancial.
Bem diferente, portanto, da realidade de hoje. Oremos.
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