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Dona Zica

O Rio de Janeiro conheceu o maior gênio da música brasileira.

Angenor de Oliveira, ou Cartola, escreveu e musicou as mais belas poesias já ouvidas neste país.

Nasceu pobre, cresceu pobre, viveu quase anônimo e morreu pobre.

Nesse meio tempo, casou com Dona Zica, com quem fundou o bar “Zicartola”, que foi à bancarrota porque toda a boemia sambista carioca bebia lá de graça e os donos não conseguiam cobrá-los – eram amigos.

Mas esse começo é só um gancho, um trocadilho, uma espécie de piada pronta pro que vem a seguir.

Acontece que meu coração ficou frio que ontem fui passear com a cachorra e, na volta, já quase na rua de casa, escutei gritos de torcida.

Eram 18h30, então pensei que estavam os palmeirenses rumando pela Av. São João sentido Palestra Itália.

Só que os gritos eram estranhos, pareciam em espanhol, e mesmo com a mania (mais brasileira do que tudo) de descaracterizar e descontextualizar as hinchadas argentinas que acontece a todo vapor por aqui, a sonoridade era mais pra castelhano do que pra portunhol.

Eis que, então, na esquina de casa, hospedados no albergue que ali fica, estão nada mais, nada menos do que os pouco mais de 30 torcedores do Colo-Colo que tinham vindo para o jogo.

Poucos, porém loucos, como gostam de dizer.

Me aproximei com a intenção de lhes dar o aviso de que ali era passagem de palmeirenses, mas logo depois de fazê-lo pensei “eles devem estar acostumados a ir em jogos fora de casa, quem sou eu pra falar alguma coisa”, e achei melhor trocar idéias com los hermanos.

Disse a eles que era corinthiano, que queria ver um jogo do Colo-Colo quando fosse ao Chile, quem sabe a volta contra o Palmeiras, já que estarei pela Argentina entre 14 e 26 de março, e então me questionaram:

– Pero vas a hinchar por Colo-Colo?

E eu:

– CLAAAAAAARO!

E a partir de então me tornei um hermano dos chilenos.

Antes de seguir meu rumo, desejei -lhes boa sorte e “que gañen hoy”, mesmo não acreditando muito que isso fosse acontecer, uma vez que o time do Palmeiras está(va?) jogando muita bola.

Horas mais tarde, porém, assistindo ao jogo no bar enquanto comemorava os 88 anos de minha corinthianíssima vó, percebi que, sem querer querendo, me parece que incorporei Dona Zica.

E Sebastian “Chamagol” González resolveu deixar nas memórias dos hinchas chilenos a imagem de “un brasileño flaquito, con una perrita muy rica, que encontramos por las calles de San Pablo y que nos dió mucha suerte”…

Amigos palmeirenses, juro que eu não queria.

Juro.

Por Wanderley Luxemburgo.

E relaxem porque domingo não tem Chamagol, viu, Diego Souza?

Em compensação…

Me aguardem...

Me aguardem...

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