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De volta de novo

Depois de um tempo necessário parado para concluir minha tese de graduação,”Geografia(s) do futebol contemporâneo em São Paulo: Espaços do jogar e do torcer na metrópole”, defendida na última sexta-feira e que pode ser baixada aqui, retomo as atividades do blog.

Muitas coisas que mereciam minha atenção passaram e não foram comentadas, notadamente os clássicos e a continuação dos 10% – ou melhor, a diminuição para 6% – dos ingressos para a torcida visitante. 

Pretendo em breve fazer um post retomando alguns pontos que acho importantes. Hoje, porém, para me ater aos acontecimentos recentes, reproduzo o bom texto do Casa do Torcedor sobre o Santos x Corinthians de domingo:

TERÇA-FEIRA, 28 DE ABRIL DE 2009

Vim, (pouco) vi, venci

A Vila Belmiro concebeu Pelé, o maior jogador da história do esporte coletivo mais popular do mundo. E no último domingo abriu espaço para a saudação de uma majestade visitante, ingrata aos mais acalorados, aceitável aos santistas mais amenos, que privilegiam mais a modalidade como um todo. Para nós, corintianos que ali vimos in loco mais uma provação de Ronaldo Nazário, um enredo indescritível.
Tecer mais palavras sobre as duas obras primas do Fenômeno, a segunda mais inimiginável aos mortais – talvez Edson, dos seus camarotes, tenha achado normal -, não é necessário. Estabeleçamos, aqui, o propósito desse nosso espaço. Falemos, então, das condições do espaço aos visitantes – onde fiquei, ao lado dos aproximadamente mil outros fieis – e do tratamento da Polícia local.

Começemos pelo último. E com menção positiva, tal qual ocorrera aosrivais alviverdes quando se fizeram presentes no estádio santista, pelas semifinais do Estadual, na voz de meu amigo Emerson Fávaro.

À distância, já que não desci a serra junto às organizadas em seus ônibus, vou direcionar o olhar ao que rolou lá dentro. Espaço apertado para os corintianos, mas nenhuma ocorrência mais grave, aparentemente. Fim de jogo, mais de uma hora de espera, no escuro, procedimento comum na Baixada. Não havia possibilidade de deixar tal quadrilátero, sequer para ir ao banheiro. Entretanto, não presenciei nenhuma revolta mais exacerbada. Talvez Ronaldo tenha relevância nessa condição.


Condição do banheiro masculino destinado aos visitantes não é dos melhores. Mas também nem um pouco diferente do que se encontra em outras praças da capital, como Pacaembu e Morumbi, por exemplo 

Problema, sim, é entrar no mesmo. A passagem para o “urinol” é baixa e apertada. Em uma situação emergencial e de tumulto, podem ocorrer dificuldades e acidentes

Aí vamos a campo. Ronaldo. Quem viu, viu. Mas mesmo quem lá estava, teve dificuldades de ver. Pois o ponto-cego promovido pela grade que separa os visitantes (no caso, os corintianos) dos santistas, na arquibancada superior do Urbano Caldeira, impossibilita a visão de boa parte da grande área e do lado direito do gramado.
De onde estava, por exemplo, só soube que os anfitriões diminuíram o placar porque, óbvio, houve a catarse da maioria, e Felipe se rebatia no chão, lamentando a sua participação no tento.

Olhando para baixo, e para frente, vê-se o gol. Mas a ponta esquerda do ataque…

No mais, situações normais. Que, é verdade, não devem – ou não deveriam – ser tratadas dessa forma. Não há assentos, muito menos numeração, a estrutura e disposição dos degraus é precária, com iminentes possibilidades de quedas para o lance inferior, em especial nos momentos de comemoração. São raros os ambulantes que passam vendendo. Água. Bastaria. Mas foi difícil. Assim é Corinthians, né?

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Ronaldo do povo

Ronaldo entrou aos 18 do segundo tempo do dérbi.

Poderiam ter sido do primeiro, fosse Mano Menezes menos covarde.

Driblou, chutou, cruzou e, enfim, marcou.

Porque quem sabe jogar bola não esquece, mesmo com quilos a mais – sejam eles gordura ou músculo.

Principalmente quando quer, algo que ele demonstrou desde que escolheu o Corinthians como projeto, quando poderia ter ido apenas curtir a vida e ganhar dinheiro em qualquer clube mediano da Europa.

Preferiu estar em casa.

O gol aos 47′ foi das maiores unanimidades já vistas pelas ruas da cidade em termos de comemoração fora de uma Copa do Mundo.

Um amigo santista disse que nunca tinha se emocionado antes com um gol que não tivesse sido do Santos ou do Brasil.

Outro são-paulino afirmou que se arrepiou todinho.

E até mesmo um palmeirense concordou que por mais que doa na alma tomar um gol do maior rival nos acréscismos do segundo tempo, foi bonito.

Pelas ruas da Vila dos Remédios, onde assisti ao jogo, as pessoas saíam às ruas após o apito final, gritando, cantando, enlouquecidas. Mesmo algumas não-corinthianas.

No centro, onde moro, minha mulher disse nunca ter visto tamanha gritaria, ainda mais com um gol do Corinthians.

Até minha avó, que, aos 88 anos, criticou desde o começo as “mordomias de Rei-naldo”, me ligou, emocionada, dizendo não ter visto algo tão lindo desde a Copa de 94.

O que se explica pela figura do camisa 9.

Mais que um jogador, mais que um ídolo, uma personagem que representa o povo.

Que começou cedo, despontou como craque, ganhou o mundo, teve o corpo prejudicado pelo trabalho (ou melhor, pela idéia de trabalho de alguns preparadores físicos que transformam jogadores em monstros musculares, mesmo quando a estrutura óssea não é capaz de segurar), voltou duas vezes a jogar contra tudo e todos e que, agora, volta ao país para, aos 32 anos, em um fim precoce de carreira, como a de Garrincha, Zico e tantos outros, mostrar que é um guerreiro, um batalhador, como outros tantos milhões país afora.

Como não esperar que o motoboy pai de família aos 20, desempregado, sem dinheiro, que luta dia após dia por sobrevivência não se identifique com sua história?

Ou a dona-de-casa laboriosa, que se sacrifica pra criar os filhos, dar a eles uma vida digna num país que se esforça em ser cada vez mais indigno para com quem trabalha, não vibre de alegria com o gol do filho que também é seu?

Não à toa, o Fenômeno, sempre frio e comedido nos gols e comemorações, extravasou no alambrado.

Porque o momento do gol  não poderia ser outro. 

Na bacia das almas, com a torcida adversária (ou pelo menos parte dela) gritando “silêncio na favela”.

A bola, ao estufar as redes, significou mais que o empate. Significou que quanto mais perto do fim se pensa estar, quando se fala de Ronaldo e de povo, sempre há espaço para um recomeço.

A favela não se cala nunca.

E ele ficou louco, mais um no bando.

Bando que derrubou o alambrado, saiu às janelas e às ruas, comemorou a vitória de quem enfrenta toda série de obstáculos rotineiramente no dia-a-dia.

Porque está em Ronaldo, e Ronaldo está nele.

Retrato falado, cuspido e escarrado do Brasil.

***

Ouça aqui e veja aqui o gol do povo.

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Ronaldo e as mulheres

Acabou a alguns minutos Itumbiara e Corinthians, a partida que marcou a volta aos campos pelo lado alvinegro, após um ano parado, do maior artilheiro da história das Copas do Mundo, Ronaldo “Fenômeno”.

Sobre o jogo, pra além da fastidiante algazarra em cima do camisa 9 do Corinthians, algumas coisas merecem ser notadas.

Pelo lado do mandante, Denílson provou que ainda poderia fazer parte do elenco do Palmeiras e que talvez fosse melhor alternativa ofensiva em jogos onde a experiência pesa (como os da Libertadores) do que Lenny e Marquinhos.

Provou também que continua sendo um exímio palhaço na arte de tentar ludibriar o árbitro.

Túlio e Caíco não disseram a que vieram.

Ávalos mostrou a boa marcação de sempre, e falta de técnica idem.

E o time do Itumbiara mostrou que experiência de um elenco como o seu serve pra endurecer jogos contra times grandes, mas também acaba por acusar a falta de fôlego quando este é necessário em caso de sair perdendo.

Pelo lado do Corinthians, os dois jogadores mais displicentes do elenco resolveram o jogo: Jorge Henrique cavando um pênalti e André Santos em lindo – e raro – chute de pé direito.

Otacílio Neto provou de vez que lhe falta cérebro, a todo tempo.

Morais entrou bem, enquanto Dentinho ainda segue apagado.

Douglas alternou momentos de camisa 10 com sumiços inexplicáveis, mas o fato de ajudar na marcação faz com que o 4-2-3-1 ofensivo de Mano Menezes funcione bem também defensivamente – não sem alguns sustos.

Cristian foi o mesmo cão de guarda de sempre e a dupla de zaga Chicão e Willian mostrou que está mesmo afim de se tornar a melhor do Brasil.

E por fim, Ronaldo, claro.

Que mostrou ansiedade em entrar e, uma vez em campo, tranquilidade em agir.

Que se movimentou, que esteve bem colocado e que não fez gol porque Douglas não quis passar a bola.

E que ainda está fora de ritmo e de forma, o que não o impede de mostrar técnica e intelgiência – acumulada com as lesões que diminuíram sua velocidade e com a experiência.

O Corinthians, por fim, demonstrou antes e após a entrada de Ronaldo que está se tornando aquilo que o futebol brasileiro tem consagrado nos últimos anos: um time pragmático, que cadencia o jogo, que tem paciência pra definí-lo.

E que não mudou o jeito de jogar por conta do Fenômeno.

Nada de tentar desesperadamente dar a bola pra ele a todo custo – como dito, inclusive, quando era pra dar, não deram.

Mas calma e paciência quase argentinas, características das equipes de Mano Menezes.

Não à toa, o time não empolgou este ano – ouso dizer que não empolgará tão cedo.

Mas é o único paulista ainda invicto, tem um sistema defensivo sólido (quando titular) e não perde em casa há meses.

Não foi assim que o São Paulo se tornou tricampeão brasileiro?

No Derby de domingo, mais uma vez, estarão frente a frente os estilos de jogo que nos últimos anos marcaram uma difícil escolha para o torcedor:

o que é melhor, vencer ou jogar?

Mas, pra terminar, voltando à partida de hoje, marcaram o jogo também as torcidas.

A do Itumbiara pelo alto número de torcedores, uma agradável surpresa. Difícil um time pequeno manter torcedores fiéis em um país onde a mídia simplesmente os ignora até o momento em que cruzam o caminho de um grande – quantos sabiam ao menos as cores do Itumbiara antes das 21h45 de hoje?

E a do Corinthians porque sempre que sua parte mais festiva e personalista entoou “Ronaldo”, obteve a resposta guerreira e coletivista da parte que sempre entoa apenas “Corinthians”.

Se depender de mim, que vença a segunda parte – futebol é um esporte coletivo, e todo clube é sempre maior que qualquer jogador, mesmo Pelé ou Maradona.

Até porque com o dinheiro de um Ronaldo daria pra ter mantido Juliana Cabral no time feminino e ainda garantido sua existência e incrementado sua estrutura por mais de ano, mostrando que no time do povo, homens e mulheres tem o mesmo peso.

Aí, um 8 de março de Corinthians x Palmeiras seria muito mais interessante e significativo.

Porque seria também um 8 de março de mais igualdade entre homens e mulheres.

Pelo menos dentro de campo.

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Majestoso: a torcida se levanta

Parece que o acontecido no Corinthians x São Paulo último não passará em branco.

Recebi o comunicado abaixo via email.

É dever de todos que lutam contra a impunidade divulgar.

E é mais dever ainda dos que foram ao jogo participar da ação.

***

Atenção rapaziada dos Gaviões, iremos ingressar uma ação coletiva contra o SPFC e Federação Paulista de Futebol. Menciono que não haverá custo algum a todos membros e não membros do nosso movimento, pedimos a gentileza que sejam separadas as xerox da identidade, do CPF, comprovante de residência e ingresso do jogo.

Estamos provindenciando um endereço eletrônico para o envio dos dados, assim como o preenchimento da ficha para entrar com a ação.

Peço o favor de divulgarem a todos os corinthianos que estavam presentes no jogo Corinthians x São Paulo essa nossa ação.

RUA SÃO JORGE  – A RUA DO CORINTHIANO 

Envie seu e-mail para rsj1910@hotmail.com e você receberá um formulário para anexar os documentos necessários para entrar com a ação.

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Brasil x Argentina

Enquanto por aqui os estádios vão virando cada vez mais shoppings centers, na Argentina se encontram outras formas de explorar o dia do jogo que não seja atropelando os costumes, tradições e vontades do torcedor.

O texto que segue é de uma amiga brasileira que esteve na Bombonera em 2008 num Boca x River. Me faz lembrar de quando os estádios ainda eram estádios por aqui – porque se engana quem acha que é só lá que a festa acontece dessa maneira.

Longe, porém, de querer soar saudosista, a idéia de publicá-lo é exatamente mostrar que existem outros caminhos que não o que se insiste em tomar por aqui: o da exclusão social e da normatização espacial dos estádios.

Vale a pena ler.

“Buenos Aires, 5 de maio de 2008.
 
Desde muito queria conhecer a 
Bombonera, cheia. Jà havia visitado em um periodo de vacaciones no esquema gringo, roteirinho, mas ja dava pra imaginar como fica aquele lugar lotado. Outra vez, eu e a Re tentamos ir a uma partida, nem classico nem nada, mas ou era os 300 dólares na gringa ou na Popular. Ninguém quis nos levar a popular, nem vender ingresso. Nos chamaram de loucas varridas pra mais.
 
Cheguei meio-dia nas redondezas de La Cancha. Sem ingresso, sem companhia. Algumas platas e muita vontade de ir ao jogo.
Ia encontrar um amigo do amigo tal e que ia me vender o ingresso, mas dependia de telefone, ligar na hora certa tal e que obviamente nao rolou, o cara nao atendia.
 
Ali, rola desde cedo uma festa. Enquanto os vàrios onibus de turismo chegam, La Boca toda vira uma parrillada familiar de domingo ao ar livre. Pertinho da entrada, hà dois ou tres restaurantes que vendem os tais Choripan, Lomito, Patty. Compra o Ticket depois de muito se amassar na fila, o cara pega o pao gigante, bota um naco de carne GIGANTE, te entrega de mao a mao e entao pronto.
 
Esta altura, quase 13:30, ja havia desistido de comprar ingresso na rua e enquanto comia meu Patty na sarjeta à frente de La Cancha me preparando para assim que acabar de comer ir embora, apareceu “un tipo” querendo me vender platèia por 600 pesos. Disse que nao tinha tal plata. Perguntou quanto tinha, disse “Cem!”, ele disse “Vambora brasileira, te llevo a la 12”. 
 
Era absolutamente tudo que eu queria. Clássico Boca X River. A la 12! A Popular. Onde, teoricamente, nao se paga para entrar. Entra quem o porteiro, a organizacao conhece. O “tipo” me levou de namorada. Na hora de entrar acabei me dando bemzaço, porque no empurra-empurra que è para passar deste portao, crianças, namoradas, esposas tem máximo respeito e passam na frente. Subimos as escadas e, UAU: Lindo domingo de sol, popular já completamente cheia, e diziam que nao era nem a metade.
 
Antes do clássico começar, a festa vai esquentando. A guerra de milho é geral (“Aquel que no salta es un Gallina!”). Entramos uma hora antes e na Popular já se distribuía os baloes, os rolinhos de papel, os pedacinhos de papel, bandeiras, e a bateria, do ladinho, pertinho, é difudê.
 
Jogo começa. Dalí, nao hà sequer espaço para deixar os dois pés no chao. As pessoas vao se engalfinhando, se apoiando para conseguir espaço pra se manter em pé, cantar e ainda assim ver o jogo. E logo no começo do jogo, Gol!! Achei que esse negòcio ia cair, ou todos cairem pra frente, sei là. Torcida toda, senhores, crianças, festejam num emprurra-empurra na certeza que ninguèm vai cair, pq nao ha espaço para tal. Um abraço coletivo gigante-mór. A cantoria nao pára um segundo, e a bateria acompanha num coro sò, como um estadio pequeno de Bairro, um Juca, apenas com 50 mil pessoas dentro.
 
O juiz apita final do primeiro tempo. Automaticamente e simultaneamente (!) as pessoas todas sentam. Eu, no meio de uma torcida gigante fiquei em pé, com os pés presos porque tinham oito pessoas por metro quadrado sentados neles, esquema Joao-Bobo mesmo, quando um tiozao carinhosamente me oferece um pedacinho do degrau que tinha na frente dele. Logicamente nao se vende bebida alcoolica, afinal ali tudo já está ao limite das CNTP, mas se vende CocaCola, água e amendoins. O cara que está là em baixo quer comprar, a fila toda, desde lá de cima colabora, pq nao há condiçoes de ninguém se mexer. O que rola é uma intimidade de compratilhar as coisas, as conversas, as comidinhas, o espaço.
 
Começa o segundo tempo, a “inchada”, torcida, nao pára de cantar. Me impressionou a organizaçao, a quantidades de cançoes e familiaridade com elas. O jogo, afinal, tava chato que só. O River decidiu nao jogar, e restou ao Boca mais alguns chutes a gol e muita festa a La Cancha. Ah, vale citar também que o meu vocabulário chulo portenho cresceu 1000% depois desta experiencia multicultural-multicultural.
 
Acabado o jogo, a festa continua lá dentro, até porque é um passo infinito sair de là. Mas continua a festa pelas escadarias, e como a altura é grande, o por do sol contribuiu para o momento. Ao sair, na rua, a bateria está lá, e a festa continua nas parrilladas. O clima é de um Juca, com uma galerinha em volta da bateria à frente do estadio. Novamente fiquei impressionadíssima.
 
Sou fa de carteirinha da Argentina e volto a afirmar que quem nao gosta disso aqui tem é muita inveja ou nao conhece suficiente. Até onde a rixa existe, o fabuloso futebol, os caras mandam bem pra cacete. Em termos de presença no estádio, eles sao o verdadeiro Carnaval. E aí, que na minha opiniao, está inserido o contexto paixao pelo futebol, na possibilidade do jogador e dos tantos outros no campo, fazerem algo unico, uma jogada que nunca pode ser repetida, nas milhares de combinaçoes de passes e lances que tornam o feito único, e estar presente apoiando o time torna também o fato como único, e imensurável.
 
Desta experiencia nao levei nada fisico. Nem ingresso, nem foto, apenas estas recordaçoes, que ainda anestesiada compartilho com vcs. Cheguei às 22h em casa tava morrendo de vontade de compartilhar com os amigos brasileiros – desculpem os acentos, teclado gringo! –  mas nao tive forças de chamar a ninguèm.
Pai, Mae, tá tudo bem.
 
Ainda em tempo: azeite porcada.
 
Beijos,
Lau”

(por Laura Fosti)

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Casa do Torcedor

Hoje, três dias e muitos textos lidos e repassados após o clássico, colhi mais um fruto do diálogo acerca do mesmo: descobri o Casa do Torcedor, um blog cujo nome diz tudo.

Lá, encerrando a série de relatos sobre o jogo, pode-se ler o texto de Bruno Camarão, que traz mais algumas coisas para o debate, detalhes que às vezes parecem pequenos mas que fazem diferença.

O blog tem bastante informação e muitos relatos, vale a pena dar uma olhada.

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Questão de segurança?

A PM contabilizou o maior número de ocorrências pela cidade desde a morte do torcedor Márcio Gasparím naquela final da Copa São Paulo de Juniores de 1995, segundo Paulo Vinícius Coelho, jornalista da ESPN Brasil. 

Torcedores do Corinthians relatam na internet que a confusão só não terminou em tragédia maior por um verdadeiro milagre, como pode-se ler abaixo.

Ficam, pra quem quiser responder, as perguntas:

A divisão de torcidas feita combinada com a truculência habitual da polícia paulista é realmente um caminho para termos menos violência no futebol?

A culpa da confusão é mesmo dos “vândalos” das organizadas?

O Morumbi é um estádio seguro pra se fazer uma Copa do Mundo?

Relato retirado de comunidade do Orkut (grifo meu):

“Estava certo com a PM que ficariamos cerca de 40min dentro do estádio e só depois seriam abertos os portões para a saída da torcida corinthiana. Só que começou a chover muito e a torcida decidiu se abrigar da chuva nos corredores em baixo da bancada, e começou a aglomerar a torcida inteira que chegou até perto dos portões. Aí entra a Tropa de Choque, eles nem perguntaram o que acontecia, viram a massa e já começaram a lançar bombas, balas de borracha, dar borrachada. E o resultado foi que ficaram mais de 3mil pessoas espremidas num corredor, engolindo gás de pimenta. A PM começou a recuar todo mundo num blocão esmagador, era um verdadeiro rolo compressor humano se esmagando, e entre os torcedores se ouvia os gritos de mulheres e até crianças sendo esmagadas, foi uma cena realmente chocante. E assim foi prosseguindo até que a massa espremida foi caindo de costas pela única saida de visitantes, foi feito um mutirão para ir resgatando as pessoas dali do meio.

O resultado foi que tinha até mulher grávida desmaiada e entre os muitos feridos, muitos com fraturas espostas.

E como sempre as organizadas foram as culpadas e a PM está de parabéns.”

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