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Basílio lá em casa

Achei a reportagem em que levaram o Basílio na minha casa. Mostram meus bichos (Preta, Branca e Boquita), falam das cinzas de meu pai que joguei no Pacaembu e depois ele aparece de surpresa lá.

Tem também um cara que tatuou o Túlio Maravilha (e levaram o Túlio no estúdio de surpresa enquanto ele tatuava) e outro que tatuou o Rogério Ceni.

E tem ainda um que ia tatuar o Fernandão mas desistiu porque ele foi pro Goiás, hahaha.

Vejam:

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Gaviões da Fiel, 40 anos

Pretendia escrever um texto sobre os 40 anos da Gaviões.

Porém, após ler o do Filipe no AnarCorinthians, descobri ser desnecessário.

Segue a reprodução do texto dele, simplesmente fantástico.

E VAI CORINTHIANS!

Nós Somos os Gaviões

Os primeiros uniformizados e organizados do Sport Club Corinthians Paulista chegaram às Arquibancadas deste mundão quando os Gaviões sequer sonhavam em existir.
Era a molecada na Ponte Grande, com as camisas com o círculo bordado, ou um pedaço redondo de pano costurado sobre o pano da camisa.
Depois, na Torcida Corinthiana, chegou o charuto como um símbolo.
José da Costa Martins, um dos primeiros veteranos na Torcida do Clube do Povo ainda jovem – estamos aqui na década de vinte… -, mas já Grande e Altaneiro, foi quem levou charutos no bolso, em uma tarde, para o jogo.
Daí o Coringão marcou o gol, e ele acendeu um charuto.
E ofereceu os outros para quem estava ao lado. Só que o pessoal deixava apagar.
Coringão marcou mais um; o pessoal acendeu todos os charutos, comemorando. E deixaram apagar de novo. No final, todos acenderam para comemorar a vitória…
Neste dia nascia uma mania entre os Corinthianos, um hábito festeiro a mais. Que logo se espalhou pelo estádio todo, e se transformou em Símbolo da Torcida, o charuto. Era tempo de Neco, Amílcar, Peres, Grané, Del Debbio…

Martins contou certa feita, já velhinho, um ancião do Corinthianismo: “Era um jogo importante, no tempo do amadorismo. Neco não estava escalado. Estranhamos, os tocedores reclamaram. Fomos perguntar o que estava acontecendo. Sabe o que era? Neco estava atrasado com o pagamento das mensalidades – três meses! Não ia jogar porque não estava com os recibos em dia. Não tivemos dúvida: cada torcedor enfiou a mão no bolso, fizemos um rateio, pagamos a dívida e ainda sobrou algum. Neco recebeu a camisa e jogou tudo o que sabia. Já imaginou uma coisa dessas?”

Como se vê, os Gaviões da Fiel já existiam desde a década de vinte.
Apenas não eram os Gaviões da Fiel, de Flavio La Selva eJoca, com as bandeiras, os instrumentos, os rojões.
Que tiveram a influência do veteraníssimo nadador doCorinthians, da época dos cochos e do rio borbulhante de saúde. Era o Tantã, Francisco Piciochi, calabrês sempre bem alinhado. Na década de sessenta já ia de muletas ao Pacaembu. Foi um dos que quebraram a Sede da rua José Bonifácio em 1933… E tiveram a grande influência Corinthianista de Elisa, a Mãe Preta da Fiel
Influência também de todos os que estiveram e estão sempre presentes, a Família Corinthiana
Junto de nós, sempre, os fantasmas da Ponte Grande e do velho Alfredo Schürig, Família; e isso todo Gavião tem que ter em mente.

Nós, os Gaviões, somos o que podemos chamar de milícia, uniformizada, independente, e desarmada. Nossa arma é nossa voz.
Tentam nos tirar tudo; faixa, bandeira, instrumentos. Continuamos ali.
Pois ali também estão estes fantasmas, estes Anjos da Guarda.

Nos jardins do Corinthiansexistem monumentos.
Um a Manuel Nunes, oCorinthians encarnado. E outro à Fiel Torcida. Razão de ser do Sport Club Corinthians Paulista. E todo Corinthiano, por mais que torça o nariz, entende a importância que os Gaviõestêm na Arquibancada.
Os Gaviões têm seu ninho em qualquer Arquibancada do mundo.
Lealdade, Humildade e Procedimento são valores que ninguém consegue desvirtuar. Às vezes até se ausentam, às vezes até se pode esquecer. Mas eles continuam firmes e fortes em nossos Corações.
Pois o CORINTHIANS é a razão de ser de tudo isso.

40 ANOS
de Corinthianismo


A vida institucional dos Gaviões da Fiel lembra, e muito, a infância do Clube, que este blogue tenta resgatar.
Do dia 1º de julho de 1969 até meados de 1972, a Sede mudou da rua Frederico Steidel para a Sete de Abril, depois rua Aurora, em um período de graves ameaças.
Os Gaviões nasceram pra poder reivindicar os direitos daFiel que paga ingresso sem parar…
Regalias, dinheiro, teto, tudo o que poderia roubar a independência da Torcida, foi recusado, e seguiu sendo.
Em 72, finalmente, a rua Santa Ifigênia. Uma Sede com horário de funcionamento. Um espaço para reuniões. OsGaviões cresceram enquanto Torcida.
Em 1975, aprofundando os laços de amizades, criou-se o Bloco Carnavalesco. Campeões em 76, 77, 78, 79…
Veio a Escola de Samba. O Jornal O Gavião. E os Gaviõesvoltam o Corinthians ao Bom Retiro, bem perto de onde durante todo o mês maio de 1910, numa praia do rio, se pôde ver o rastro do Cometa riscando o céu…

São quarenta anos de Corinthianismo…
Completos hoje, em um dia de LUTA!
Um dia de GUERRA, como gostamos, Família!
PARABÉNS, GAVIÕES!!!
VAI CORINTHIANS!!!

Que os Antigos Gaviões nos guiem sempre
SARAVÁ SÃO JORGE
ASÈ

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Pa(i)caembu

As primeiras lembranças que tenho do Pacaembu me colocam ao lado de meu pai, num Corinthians e Novorizontino, no Tobogã. 

Tobogã, aliás, que se tornou o palco de muitas idas. Contra Santos, Inter, Bragantino, Ponte Preta, Atlético Mineiro, Flamengo e até mesmo o São Paulo, uma vez.

Do Pacaembu guardo também na memória minha entrada em campo como mascote, em 1991, quando o primo de minha mãe, doutor Léo Vilarinho, então médico alvinegro, me levou ao vestiário, onde conheci os jogadores, tirei fotos (perdidas numa enchente da casa em que morava em Pirituba, ainda nos anos 90), entrei de mãos dadas com Ronaldo e depois subi às numeradas pra encontrar a família e assistir o jogo.

Lá, lembro claramente de virar para meu pai, quando Neto ia bater uma falta do meio da rua, e dizer:

– Pai, vou descer um pouco pra ver essa falta.

Neto ouviu, e meteu a pelota no ângulo, inapelável pro goleiro.

Nos anos 2000, já adolescente, o Pacaembu virou minha segunda casa. De início com meu pai, depois sem ele, já doente. O último jogo que vimos juntos no estádio foi Corinthians 3 x 0 São Caetano, nas cadeiras laranjas, pelos idos de 2006, campeonato Brasileiro.

Então meu pai se foi, em 25 de janeiro último, e ficou impossível ir pra casa (qualquer uma delas) sem lembrá-lo.

Nas arquibancadas, qualquer uma delas, estava ele, pulando comigo, comprando refrigerante, gritando com o juiz, empurrando o time.

E do gramado, como quem corresponde ao apoio, vinham os gols, todos devidamente comemorados com um beijo na tatuagem que leva a imagem dele.

Se havia outro lugar para além do mar, onde esparzimos parte de suas cinzas, em que ele precisava estar para ser eterno, era ali.

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Então ontem, sem bola rolando, voltei ao estádio. 

Com meu pai, como sempre.

Mas dessa vez para espalhar a outra parte de suas cinzas num espaço onde, tenho certeza, estarei sempre.

Entrei em campo e pude constatar que Eduardo Galeano estava certo: nada é mais triste que um estádio vazio.

Mesmo que em minha alma ele estivesse cheio, transbordando, de lembranças e sentimentos.

Ali, sozinho em minha própria multidão, ajoelhado junto ao mesmo banco de reservas onde se sentaram tantos ídolos nossos, dei um último suspiro e deixei meu pai pousar junto às flores do pequeno canteiro que por ali floresce.

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Para poder orientar o time junto ao técnico, como fazia das arquibancadas ou em frente à televisão.

Para gritar “vai, lateral”, “tira daí”, “toca essa bola”, “chuta! chuta! chuta!”.

Para sorrir com os golaços e chorar com as derrotas doídas.

Para fazer para sempre parte deles.

Levantei-me, então, e reproduzi a mais silenciosa versão já não-ouvida do hino do Sport Club Corinthians Paulista.

E deixei o gramado, sem vaias nem aplausos.

Sabendo que de hoje em diante, sempre que o placar eletrônico do Pacaembu anunciar o público presente, contarei em minha cabeça mais um.

Porque o vento pode tentar, pode pedir a ajuda da chuva, implorar pelos efeitos do sol; nada adiantará.

Meu pai estará sempre ali.

Eterno.

Como sempre foi.

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