Arquivo da tag: Morumbi

Morumbi penhorado?

Encontrei o texto abaixo na internet. Não me lembro de ter escutado nada sobre o assunto.

Alguém aí escutou?

Lembrando o que o leitor inteligente já sabe, mas que sempre é bom avisar: as opiniões do entrevistador e do entrevistado não são necessariamente as opiniões deste blogueiro.

Morumbi foi penhorado: mídia protege São Paulo?

publicada em quarta, 01/04/2009 às 17:34 e atualizado em quinta, 02/04/2009 às 16:26

 

Luiz Rodrigo Lemmi é advogado e corinthiano. Ou, seria melhor dizer na ordem correta: é corinthiano e advogado.

Ele descobriu que o Morumbi (aquele estádio construído graças aos favores do governo paulista durante a ditadura) foi penhorado pela Justiça. Só que ninguém ficou sabendo!

Isso realmente é impressionante porque não li absolutamente nada na imprensa a respeito desse fato, o que destoa completamente do comportamento da mídia quando um fato semelhante ocorreu no Corinthians e todos os jornais noticiaram fartamente o episódio”, diz o advogado.

Leitores escrevem para lembrar que , na época, o caso  da penhora foi citado – sim – na imprensa. Mas, não passou disso: uma ou outra citação, que logo desapareceu nos desvãos da imprensa esportiva. Por isso, creio que a tese do advogado Luiz Rodrigo segue válida.

Nos anos 70, lembro de ver Luiz Rodrigo nas arquibancadas do Pacaembu, acompanhado pelos 3 irmãos e pelo patriarca da família, Léo. Todos corinthianos.

Eram os tempos do longo jejum de títulos corinthiano. Os Vianna e os Lemmi sofriam juntos no Pacaembu.

Sabe-se lá porque, a família Lemmi tinha mania de ir ao estádio com um rádio daqueles antigos, de mesa. Não era rádio de pilha, era um rádio imenso mesmo. Creio que era uma forma de garantir que nenhum dos irmãos teria a coragem de atirar o rádio (valioso) na direção do bandeirinha.

Depois, nos anos 80, fui várias vezes com o Luiz Rodrigo acompanhar as vitórias do Corinthinas na época gloriosa do doutor Sócrates. O São Paulo F. C. era nosso freguês, coitado. Como esquecer o gol de Biro-Biro no meio das pernas de Valdir Peres, na final de 82?

Luiz Rodrigo virou um bom advogado, pai de família, um homem ponderado. Menos no futebol. Ele mantém um grupo de discussão na internet, formado só por corinthianos. E foi ali que tomei contato com a informação: o São Paulo F. C. teve seu estádio penhorado em 2006!

A seguir uma entrevista em que ele comenta o caso. E, depois, cópia da página nos autos em que consta  penhora do estádio.

(E) Doutor Luiz Rodrigo Lemmi, essa penhora do estádio do Morumbi está em vigor? Ou o São Paulo F. C. conseguiu suspendê-la?
– O  andamento do processo não está atualizado na net; seria necessário ir até o fórum para ver o atual andamento do processo; por isso não posso assegurar que o São Paulo não tenha se acertado com o reclamante; o que posso assegurar é que o Estádio do Morumbi foi penhorado em julho de 2.006 na execução de uma dívida trabalhista de aproximadamente R$ 2.000.000,00 em favor daquele zagueiro argentino Ameli.
 

(E) O Morumbi corre risco de ir a leilão?
– Acho pouco provável pelo montante que está em discussão; mas em tese é possível.

   
(E) O fato foi divulgado pela chamada grande imprensa? Foi diferente da penhora do Parque São Jorge, não?
 – Isso realmente é impressionante porque não li absolutamente nada na imprensa a respeito desse fato, o que destoa completamente do comportamento da mídia quando um fato semelhante ocorreu no Corinthians e todos os jornais noticiaram fartamente o episódio.
   
(E) Como advogado e corinthiano, você chega a se surpreender com a diferença de tratamento dado ao São Paulo F.C. na mídia brasileira (paulista, sobretudo)?
– Fico realmente impressionado; não consigo entender o que leva a uma diferença de tratamento tão brutal assim; sempre que acontece um fato negativo relativo ao São Paulo, aparece um jornalista para defender (pode observar!); e no final das contas a “leitura” que a mídia faz do fato acaba “absolvendo” o São Paulo, que fica com a sua imagem preservada; e o extremo oposto é o que ocorre com o Corinthians.
   
(E) Qual o motivo para se preservar, sempre, a imagem do São Paulo? Há muitas pessoas que dizem que haveria ligações estreitas do São Paulo com a maçonaria, o que teria permitido, por exemplo, a doação do terreno onde se construiu o estádio do Morumbi. O que sabe sobre isso?
– Exatamente sobre isso não tenho muito a dizer; o que digo apenas é que existe uma força desconhecida que trabalha a favor do São Paulo e contra o Corinthians; o São Paulo, ao contrário do Corinthians e do Palmeiras, não é um time que surgiu naturalmente; tenho a nítida impressão de que o São Paulo é um projeto de um grupo de pessoas que visa conquistar o poder que existe no futebol; note que engraçado: na década de 50 o São Paulo não tinha torcida; o que fez a diretoria do São Paulo planejar naquela época a construção do maior estádio particular do mundo? Sem dúvida que, do ponto de vista de marketing, a idéia é boa: com um estádio daqueles o time nunca vai ser pequeno; mas não faz o menor sentido construir um trambolho daqueles se você não tiver uma torcida para enchê-lo; então, acho que o São Paulo é um projeto de um grupo que, friamente e sem paixão alguma, planeja para conquistar a parcela de poder que existe no futebol brasileiro (e que não é pouca!).

fonte: http://www.rodrigovianna.com.br/sua-palavra/morumbi-foi-penhorado-midia-protege-sao-paulo

1 comentário

Arquivado em estádio, sociedade

Ronaldo e as mulheres

Acabou a alguns minutos Itumbiara e Corinthians, a partida que marcou a volta aos campos pelo lado alvinegro, após um ano parado, do maior artilheiro da história das Copas do Mundo, Ronaldo “Fenômeno”.

Sobre o jogo, pra além da fastidiante algazarra em cima do camisa 9 do Corinthians, algumas coisas merecem ser notadas.

Pelo lado do mandante, Denílson provou que ainda poderia fazer parte do elenco do Palmeiras e que talvez fosse melhor alternativa ofensiva em jogos onde a experiência pesa (como os da Libertadores) do que Lenny e Marquinhos.

Provou também que continua sendo um exímio palhaço na arte de tentar ludibriar o árbitro.

Túlio e Caíco não disseram a que vieram.

Ávalos mostrou a boa marcação de sempre, e falta de técnica idem.

E o time do Itumbiara mostrou que experiência de um elenco como o seu serve pra endurecer jogos contra times grandes, mas também acaba por acusar a falta de fôlego quando este é necessário em caso de sair perdendo.

Pelo lado do Corinthians, os dois jogadores mais displicentes do elenco resolveram o jogo: Jorge Henrique cavando um pênalti e André Santos em lindo – e raro – chute de pé direito.

Otacílio Neto provou de vez que lhe falta cérebro, a todo tempo.

Morais entrou bem, enquanto Dentinho ainda segue apagado.

Douglas alternou momentos de camisa 10 com sumiços inexplicáveis, mas o fato de ajudar na marcação faz com que o 4-2-3-1 ofensivo de Mano Menezes funcione bem também defensivamente – não sem alguns sustos.

Cristian foi o mesmo cão de guarda de sempre e a dupla de zaga Chicão e Willian mostrou que está mesmo afim de se tornar a melhor do Brasil.

E por fim, Ronaldo, claro.

Que mostrou ansiedade em entrar e, uma vez em campo, tranquilidade em agir.

Que se movimentou, que esteve bem colocado e que não fez gol porque Douglas não quis passar a bola.

E que ainda está fora de ritmo e de forma, o que não o impede de mostrar técnica e intelgiência – acumulada com as lesões que diminuíram sua velocidade e com a experiência.

O Corinthians, por fim, demonstrou antes e após a entrada de Ronaldo que está se tornando aquilo que o futebol brasileiro tem consagrado nos últimos anos: um time pragmático, que cadencia o jogo, que tem paciência pra definí-lo.

E que não mudou o jeito de jogar por conta do Fenômeno.

Nada de tentar desesperadamente dar a bola pra ele a todo custo – como dito, inclusive, quando era pra dar, não deram.

Mas calma e paciência quase argentinas, características das equipes de Mano Menezes.

Não à toa, o time não empolgou este ano – ouso dizer que não empolgará tão cedo.

Mas é o único paulista ainda invicto, tem um sistema defensivo sólido (quando titular) e não perde em casa há meses.

Não foi assim que o São Paulo se tornou tricampeão brasileiro?

No Derby de domingo, mais uma vez, estarão frente a frente os estilos de jogo que nos últimos anos marcaram uma difícil escolha para o torcedor:

o que é melhor, vencer ou jogar?

Mas, pra terminar, voltando à partida de hoje, marcaram o jogo também as torcidas.

A do Itumbiara pelo alto número de torcedores, uma agradável surpresa. Difícil um time pequeno manter torcedores fiéis em um país onde a mídia simplesmente os ignora até o momento em que cruzam o caminho de um grande – quantos sabiam ao menos as cores do Itumbiara antes das 21h45 de hoje?

E a do Corinthians porque sempre que sua parte mais festiva e personalista entoou “Ronaldo”, obteve a resposta guerreira e coletivista da parte que sempre entoa apenas “Corinthians”.

Se depender de mim, que vença a segunda parte – futebol é um esporte coletivo, e todo clube é sempre maior que qualquer jogador, mesmo Pelé ou Maradona.

Até porque com o dinheiro de um Ronaldo daria pra ter mantido Juliana Cabral no time feminino e ainda garantido sua existência e incrementado sua estrutura por mais de ano, mostrando que no time do povo, homens e mulheres tem o mesmo peso.

Aí, um 8 de março de Corinthians x Palmeiras seria muito mais interessante e significativo.

Porque seria também um 8 de março de mais igualdade entre homens e mulheres.

Pelo menos dentro de campo.

Deixe um comentário

Arquivado em estádio, mídia, rivalidade, sociedade

Majestoso: a torcida se levanta

Parece que o acontecido no Corinthians x São Paulo último não passará em branco.

Recebi o comunicado abaixo via email.

É dever de todos que lutam contra a impunidade divulgar.

E é mais dever ainda dos que foram ao jogo participar da ação.

***

Atenção rapaziada dos Gaviões, iremos ingressar uma ação coletiva contra o SPFC e Federação Paulista de Futebol. Menciono que não haverá custo algum a todos membros e não membros do nosso movimento, pedimos a gentileza que sejam separadas as xerox da identidade, do CPF, comprovante de residência e ingresso do jogo.

Estamos provindenciando um endereço eletrônico para o envio dos dados, assim como o preenchimento da ficha para entrar com a ação.

Peço o favor de divulgarem a todos os corinthianos que estavam presentes no jogo Corinthians x São Paulo essa nossa ação.

RUA SÃO JORGE  – A RUA DO CORINTHIANO 

Envie seu e-mail para rsj1910@hotmail.com e você receberá um formulário para anexar os documentos necessários para entrar com a ação.

Deixe um comentário

Arquivado em estádio, sociedade

O muro

(créditos para o Cruz de Savóia)

omuro

1 comentário

Arquivado em estádio, sociedade

Casa do Torcedor

Hoje, três dias e muitos textos lidos e repassados após o clássico, colhi mais um fruto do diálogo acerca do mesmo: descobri o Casa do Torcedor, um blog cujo nome diz tudo.

Lá, encerrando a série de relatos sobre o jogo, pode-se ler o texto de Bruno Camarão, que traz mais algumas coisas para o debate, detalhes que às vezes parecem pequenos mas que fazem diferença.

O blog tem bastante informação e muitos relatos, vale a pena dar uma olhada.

Deixe um comentário

Arquivado em estádio, mídia, rivalidade, sociedade

Questão de segurança?

A PM contabilizou o maior número de ocorrências pela cidade desde a morte do torcedor Márcio Gasparím naquela final da Copa São Paulo de Juniores de 1995, segundo Paulo Vinícius Coelho, jornalista da ESPN Brasil. 

Torcedores do Corinthians relatam na internet que a confusão só não terminou em tragédia maior por um verdadeiro milagre, como pode-se ler abaixo.

Ficam, pra quem quiser responder, as perguntas:

A divisão de torcidas feita combinada com a truculência habitual da polícia paulista é realmente um caminho para termos menos violência no futebol?

A culpa da confusão é mesmo dos “vândalos” das organizadas?

O Morumbi é um estádio seguro pra se fazer uma Copa do Mundo?

Relato retirado de comunidade do Orkut (grifo meu):

“Estava certo com a PM que ficariamos cerca de 40min dentro do estádio e só depois seriam abertos os portões para a saída da torcida corinthiana. Só que começou a chover muito e a torcida decidiu se abrigar da chuva nos corredores em baixo da bancada, e começou a aglomerar a torcida inteira que chegou até perto dos portões. Aí entra a Tropa de Choque, eles nem perguntaram o que acontecia, viram a massa e já começaram a lançar bombas, balas de borracha, dar borrachada. E o resultado foi que ficaram mais de 3mil pessoas espremidas num corredor, engolindo gás de pimenta. A PM começou a recuar todo mundo num blocão esmagador, era um verdadeiro rolo compressor humano se esmagando, e entre os torcedores se ouvia os gritos de mulheres e até crianças sendo esmagadas, foi uma cena realmente chocante. E assim foi prosseguindo até que a massa espremida foi caindo de costas pela única saida de visitantes, foi feito um mutirão para ir resgatando as pessoas dali do meio.

O resultado foi que tinha até mulher grávida desmaiada e entre os muitos feridos, muitos com fraturas espostas.

E como sempre as organizadas foram as culpadas e a PM está de parabéns.”

4 Comentários

Arquivado em estádio

Do Majestoso vira-latas

Normalmente, quem escreve defendendo uma posição ou uma tese tem um certo prazer em poder dizer, ao ver ela confirmada, a célebre frase “eu falei”.

Hoje, nada me agradaria mais do que não poder fazê-lo.

Eu teria um enorme orgulho se pudesse estar aqui dizendo: “eu errei, tivemos uma festa linda no Morumbi, todos saíram contentes”.

Mas infelizmente, como o previsto para uma desgraça anunciada, se em campo, num jogo ruim, ninguém ganhou, fora dele, todos perderam.

Antes de mais nada perdeu a Federação que, num campeonato de turno único onde detém o mando de todos os clássicos, deixou toda a confusão acontecer sem mexer uma palha como forma de atacar o São Paulo e, no final, viu seu campeonato ter num jogo que poderia ser memorável um exemplo de contra-propaganda.

Perdeu o São Paulo, que nos próximos três anos, caso Andrés Sanchez seja um homem de palavra, não terá mais um de seus maiores clientes alugando o Morumbi.

Perdeu o torcedor são-paulino que, além de ver sua diretoria desprestigiar o Majestoso colocando-o como “brinde” para os jogos em casa da primeira fase da Libertadores, viu também seu técnico escalando um time misto, como forma de reforço do desdém com que o clube trata o campeonato da Federação com a qual está brigado.

Perdeu mais ainda o torcedor que não entrou na promoção, pois pagou caro pra ver um clássico desvalorizado com cerca de 34.000 torcedores (no Paulista do ano passado, foram cerca de 41.000), ou seja, sem casa cheia (como apostei) nem jogo bonito, já que se de um lado estava o já citado e desentrosado misto tricolor, de outro se encontrava o extremamente nervoso e mal-posicionado 3-6-1 alvinegro, ambos abusando dos passes errados.

E perdeu, principalmente, o torcedor corinthiano, que, graças ao confinamento dos 10%, viu mais uma vez a Polícia Militar protagonizar um show de despreparo que culminou em pernas quebradas, pisoteamento e mais de 30 feridos.

Emblemática quanto a isso a fala de um torcedor entrevistado pela ESPN Brasil, dizendo que em 25 anos de estádio, nunca tinha vido nada igual. “É que vocês da mídia acabam de cobrir o jogo quando o juiz apita, não vêem o que é a PM na saída dos estádios”, completou.

Logo depois, aliás, aparece o responsável pelo policiamento do clássico, comandande Hervando Velozo, com uma versão que simplesmente não convence, o que não surpreende quando se trata da Polícia Militar. 

Diz ele que a confusão começou porque a torcida do Corinthians partiu pra cima da patrulha da PM, composta por “apenas 5 policiais e 1 tenente”, e esta revidou. Eram, segundo o comandante, cerca de 500 torcedores. 

Primeiro de tudo, suspeita a conta de apenas 5 policiais para fazer a evacuação da torcida. 

Depois, estranho que 500 torcedores tenham fugido de 5 policiais, mesmo estando estes atirando “apenas 3 bombas de efeito moral” – prática, aliás, que não poderia resultar em outra coisa, estando os torcedores confinados em um setor com uma única saída.

Pra piorar, se contradizendo, no fim do discurso o comandante diz que a torcida corinthiana se assustou com uma bomba que estourou perto do portão 15, causando o corre-corre e o pisoteamento, mas sem no entanto explicar por quem ou porquê foi atirada. 

A maioria dos torcedores do Corinthians, entretanto, acusaram a Polícia pela confusão. Disseram estar tentando sair da chuva quando de repente vieram as bombas de gás. Alguns tentaram também agredir Marco Aurélio Cunha quando este foi “prestar solidariedade aos torcedores feridos”, segundo ele mesmo, ou tentar fazer o possível para não piorar ainda mais a imagem do estádio, para aqueles com ouvidos e olhares mais atentos aos bastidores do futebol brasileiro, mas foi quase unânime a opinião de que o problema todo foi a violência descabida da ação da PM.

PM que ao contrário da prática comum nos mesmos países citados como exemplo para a implementação da nova divisão de torcidas em clássicos, insiste em evacuar primeiro a torcida mandante, quando seria mais fácil e rápido dispersar os 5.000 corinthianos antes de permitir a saída dos 29.000 são-paulinos. Estes, tendo saído primeiro e em maior número, puderam protagonizar, como noticiado por diversas rádios, tentativas de emboscar os corinthianos em sua única saída, dando trabalho pra PM (como, aliás, aconteceu na entrada também). Talvez daí tenha saído a bomba iniciadora do corre-corre. Não há como saber, e provavelmente não haverá.

Porque o que interessa no futebol hoje é o negócio, o dinheiro, e não a festa ou a participação popular, muito menos a apuração de responsabilidade pelos 30 feridos – coisa que não mudará enquanto policiais não responderem criminalmente como civis.

Se é possível lucrar mais com menos gente no estádio (a renda do jogo deste ano, com seus quase 34.000 pagantes, foi de R$ 1.066.880,00, enquanto a de 2008, com 7.000 pagantes a mais, foi de R$ 666.390,00), que assim seja, nem que pra isso algumas pernas tenham que ser quebradas, pernas que pagaram absurdos R$ 90,00 pra estar ali.

Em nome do lucro, do marketing e da conquista de patrocínios, um continuum de desrespeito com o torcedor.

Que começou com o anúncio da não divisão em 50% a duas semanas do jogo, continuou com os preços abusivos, e terminou com a violência policial.

Não se discute aqui o direito do São Paulo em cumprir o regulamento, mesmo que pra isso rasgue a tradição, a diplomacia e os bons tratos com seu co-irmão/rival/cliente.

Mas é inaceitável não ver sendo minimamente abordado na mídia o modo como são impostas as mudanças nos estádios brasileiros, os preços e horários abusivos, a falsificação de ingressos e a ação de cambistas contínuas e notadamente o crescimento da ação policial violenta.

Coisas que, nas mãos de jornalistas sérios, poderiam ser desmascaradas em duas ou três reportagens.

Ao invés disso, trata-se o torcedor como uma paisagem que necessita urgentemente parar de se mover, um coadjuvante chato que era pra fazer uma ponta mas insiste em tentar roubar as atenções do ator principal – o dinheiro.

Defende-se os jogos de torcida única, representantes dignos da falência total de qualquer tipo de resquício de uma sociedade democrática e tolerante.

E não se demora em colocar a culpa na torcida pelas pernas quebradas, sempre.

Por conta disso é que o Vai, lateral! começa aqui uma campanha sugerida pelos companheiros do Futebólatras Anônimos: registrar independentemente a ação da polícia nos estádios e em seguida denunciar de todas as formas possíveis os abusos e maus-tratos.

Se a mídia não nos representa como gostaríamos, que sejamos nossa própria mídia.

E se não deu pra fazer deste 15 de fevereiro memorável pelo futebol, que o façamos memorável pela representação de uma mudança na forma com que nós torcedores agimos (ou, no caso, deixamos de agir) em relação aos abusos sofridos.

Porque tentar lavar as mãos pro que se passa é cada vez mais sujá-las de sangue.

***

PS.: pela cidade, muitos foram os incidentes entre torcedores, conforme noticiaram as rádios Jovem Pan e CBN antes da partida. E segundo comunidades de torcedores na internet, só não foi pior porque a confusão com a PM no fim do clássico “esfriou” os ânimos de muitos que planejavam emboscadas e vinganças depois do jogo.

2 Comentários

Arquivado em estádio, mídia, rivalidade