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Uma volta alternativa pelo futebol europeu

O Mau, guitarra do Fora de Jogo (banda só sobre futebol que eu faço parte) e blogueiro do Santo André no globoesporte.com, acabou de voltar de um rolê da Europa e está escrevendo no outro blog dele, que é totalmente excelente, sobre os rolês boleiros que deu.

O blog por si só já é muito bom, ele conta sua busca pela “lenda das 1000 camisas”, cada dia posta uma camisa da coleção dele e conta a história do clube, da torcida, curiosidades.

Agora com esse rolê na Europa, tá contando algumas coisas também das cidades por onde passou e encontros que teve com jogadores sem querer.

Fora um quadrinho que ele achou por lá cujo personagem principal é um jogador veterano do Barcelona, fantástico!

Leiam clicando aqui, vale a pena.

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Passa Palavra 5

O Passa Palavra continua com seu Especial Futebol e Política.

O texto, dessa vez, é assinado por Tatiana Melim e trata da relação entre mídia e torcida.

Leia aqui.

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Violência no futebol em números

Fora algumas babaquices no fim do texto como ligar a venda de cerveja à violência de forma direta, o estudo parece ser interessante e importante. Até por mostrar que a violência acontece na maioria dos casos entre gente que não é considerada “marginal” por seu histórico, seja lá o que isso signifique na cabeça desses sociólogos.

Vale a pena ler.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/07/19/ult5772u4685.jhtm

19/07/2009 – 13h35
Brasil lidera ranking de mortes em confrontos no futebol, aponta estudo

Elaine Patricia Cruz
Da Agência Brasil

Nos últimos dez anos, 42 torcedores morreram em conflitos dentro, no entorno ou nos acessos aos estádios de futebol. Os dados foram contabilizados e estudados pelo sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universo, Maurício Murad, baseado em dados fornecidos por jornais, revistas e rádios das principais cidades do país entre os anos de 1999 e 2008. As informações foram mais tarde checadas nos Institutos Médico Legais (IMLs) e nas delegacias de polícia das cidades onde as mortes ocorreram.

“Quando começamos a fazer o levantamento, o Brasil estava em terceiro lugar na comparação com outros países no número de óbitos. A ordem era Itália, Argentina e Brasil. Hoje, dez anos depois, o Brasil conquistou o primeiro lugar. É uma conquista trágica, perversa”, afirmou o professor.

Segundo ele, essa constatação deveria ser uma grande preocupação para um país que vai abrigar um grande evento como a Copa do Mundo de 2014. “Essa violência é uma preocupação para a Copa porque, de todos os problemas que a Fifa [Federação Internacional de Futebol] acompanha, e de tudo o que o caderno de exigências para a Copa do Mundo determina, a segurança pública é um dos principais. O problema da segurança pública é da maior importância para a Copa do Mundo.”

O fato do Brasil estar ocupando o trágico primeiro lugar no número de óbitos em conflitos de torcedores deve-se, segundo o professor, ao fato de não ter ocorrido aqui uma reação a esse tipo de violência, tal como fez a Itália, promovendo reformas na legislação até para punir os dirigentes que incitam a violência. “No Brasil, infelizmente, não houve reação satisfatória e consistente”, concluiu.

Um outro dado alarmante da pesquisa, segundo o sociólogo, é que a proporção dos óbitos vem aumentando nos últimos cinco anos. Se no período de dez anos a média é de 4,2 mortes a cada ano, no período entre 2004 e 2008 o número de mortos totaliza 28 -uma média de 5,6 mortos por ano. A proporção é ainda bem maior se contabilizados apenas os dois últimos anos: 14 mortes ocorreram entre 2007 e 2008, uma média de sete mortos por ano.

“Significa não só que a soma dos óbitos é uma coisa preocupante, alarmante e que tem que ser vista, estudada e contida, como também que a proporção, nos últimos dez anos, é crescente e, portanto, muito mais preocupante”, definiu.

Mas a violência não é algo típico apenas do mundo esportivo. “Cresceu a violência no futebol porque cresceu a violência no país. E cresceu a violência no país porque a impunidade e a corrupção são cada vez maiores”, concluiu o sociólogo.

Além do crescimento do número de mortos em conflitos esportivos nos últimos anos, a pesquisa também verificou mudanças na forma dessa violência. Se antes as mortes ocorriam por quedas ou brigas, hoje elas ocorrem geralmente por armas de fogo.

Outro dado novo que foi observado nos últimos anos de pesquisa é a marcação dos conflitos e das tocaias contra grupos de torcedores rivais por meio da internet e do site de relacionamentos Orkut.

A maior parte dos mortos, de acordo com a pesquisa, era composta por jovens entre 14 e 25 anos, de classe baixa ou média baixa, com escolaridade até o ensino fundamental e, em geral, desempregada. E também foi constatado que, em grande parte, esses torcedores não eram ligados a práticas de violência.

“Em quase 80% dos óbitos, as pessoas não tinham nenhuma ligação com setores violentos ou delinquentes de torcidas organizadas. Apenas em 20% é que os óbitos eram de pessoas ligadas a grupos de vândalos”, afirma Murad.

Segundo ele, o futebol reproduz de forma cruel e perversa a situação do país, onde a violência é crescente e vitimiza muito mais as pessoas não ligadas aos grupos delinquentes. “Uma morte já é gravíssima, mas a morte de um inocente, que não está ligado a práticas de violência e que foi ao estádio para se divertir e que foi com sua família para torcer pelo seu time é muito mais grave”, ressalta.

A pesquisa de Murad propõe como soluções de combate a essa violência nos esportes, no curto prazo, ações mais repressivas tais como a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios; o controle da venda de ingressos, proibindo a ação de cambistas, e o aumento da oferta do transporte coletivo principalmente na saída dos estádios.

“Chegar aos estádios, cada um chega mais ou menos numa hora, mas sair, sai todo mundo junto. Ali é que mora o perigo. E quanto mais rápido a multidão escoar, menor é a possibilidade de violência, de roubo e de brigas”, conclui.

As ações mais efetivas para o combate à violência, no entanto, são as de médio e longo prazo. Aqui, Murad cita como soluções as campanhas educativas que possam voltar a atrair as famílias para os estádios. “É preciso aumentar, com ingressos promocionais, a ida de mulheres, famílias e de pessoas da terceira idade e de crianças aos estádios porque esses grupos naturalmente neutralizam e isolam esses grupos violentos”, afirmou.

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Passa Palavra 3 e 4

Fechando o Especial Futebol e Política, o Passa Palavra publicou os dois últimos textos sobre esta intrínseca relação.

O terceiro, “Futebol de Várzea – caminhos de insubordinação”, é assinado por Rafaaa e versa sobre a organização varzeana e seus princípios de solidariedade.

Leia aqui.

O quarto, “O Futebol-Empresa”, é de autoria de Tiago Ripa e é uma análise soberba e substancial sobre os rumos do futebol brasileiro cada vez mais subjugado ao mercado financeiro internacional.

Leia aqui.

Se o Especial termina, no entanto, é só por enquanto. Com a Copa de 2014 no horizonte, não faltarão oportunidades de se discutir futebol e política no Brasil e no mundo.

Que a iniciativa do Passa Palavra, portanto, não definhe esquecida por estes rincões virtuais. Se depender do Vai, Lateral!, estaremos sempre vivos.

E, quiçá, cada vez mais fortes.

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Gaviões da Fiel, 40 anos

Pretendia escrever um texto sobre os 40 anos da Gaviões.

Porém, após ler o do Filipe no AnarCorinthians, descobri ser desnecessário.

Segue a reprodução do texto dele, simplesmente fantástico.

E VAI CORINTHIANS!

Nós Somos os Gaviões

Os primeiros uniformizados e organizados do Sport Club Corinthians Paulista chegaram às Arquibancadas deste mundão quando os Gaviões sequer sonhavam em existir.
Era a molecada na Ponte Grande, com as camisas com o círculo bordado, ou um pedaço redondo de pano costurado sobre o pano da camisa.
Depois, na Torcida Corinthiana, chegou o charuto como um símbolo.
José da Costa Martins, um dos primeiros veteranos na Torcida do Clube do Povo ainda jovem – estamos aqui na década de vinte… -, mas já Grande e Altaneiro, foi quem levou charutos no bolso, em uma tarde, para o jogo.
Daí o Coringão marcou o gol, e ele acendeu um charuto.
E ofereceu os outros para quem estava ao lado. Só que o pessoal deixava apagar.
Coringão marcou mais um; o pessoal acendeu todos os charutos, comemorando. E deixaram apagar de novo. No final, todos acenderam para comemorar a vitória…
Neste dia nascia uma mania entre os Corinthianos, um hábito festeiro a mais. Que logo se espalhou pelo estádio todo, e se transformou em Símbolo da Torcida, o charuto. Era tempo de Neco, Amílcar, Peres, Grané, Del Debbio…

Martins contou certa feita, já velhinho, um ancião do Corinthianismo: “Era um jogo importante, no tempo do amadorismo. Neco não estava escalado. Estranhamos, os tocedores reclamaram. Fomos perguntar o que estava acontecendo. Sabe o que era? Neco estava atrasado com o pagamento das mensalidades – três meses! Não ia jogar porque não estava com os recibos em dia. Não tivemos dúvida: cada torcedor enfiou a mão no bolso, fizemos um rateio, pagamos a dívida e ainda sobrou algum. Neco recebeu a camisa e jogou tudo o que sabia. Já imaginou uma coisa dessas?”

Como se vê, os Gaviões da Fiel já existiam desde a década de vinte.
Apenas não eram os Gaviões da Fiel, de Flavio La Selva eJoca, com as bandeiras, os instrumentos, os rojões.
Que tiveram a influência do veteraníssimo nadador doCorinthians, da época dos cochos e do rio borbulhante de saúde. Era o Tantã, Francisco Piciochi, calabrês sempre bem alinhado. Na década de sessenta já ia de muletas ao Pacaembu. Foi um dos que quebraram a Sede da rua José Bonifácio em 1933… E tiveram a grande influência Corinthianista de Elisa, a Mãe Preta da Fiel
Influência também de todos os que estiveram e estão sempre presentes, a Família Corinthiana
Junto de nós, sempre, os fantasmas da Ponte Grande e do velho Alfredo Schürig, Família; e isso todo Gavião tem que ter em mente.

Nós, os Gaviões, somos o que podemos chamar de milícia, uniformizada, independente, e desarmada. Nossa arma é nossa voz.
Tentam nos tirar tudo; faixa, bandeira, instrumentos. Continuamos ali.
Pois ali também estão estes fantasmas, estes Anjos da Guarda.

Nos jardins do Corinthiansexistem monumentos.
Um a Manuel Nunes, oCorinthians encarnado. E outro à Fiel Torcida. Razão de ser do Sport Club Corinthians Paulista. E todo Corinthiano, por mais que torça o nariz, entende a importância que os Gaviõestêm na Arquibancada.
Os Gaviões têm seu ninho em qualquer Arquibancada do mundo.
Lealdade, Humildade e Procedimento são valores que ninguém consegue desvirtuar. Às vezes até se ausentam, às vezes até se pode esquecer. Mas eles continuam firmes e fortes em nossos Corações.
Pois o CORINTHIANS é a razão de ser de tudo isso.

40 ANOS
de Corinthianismo


A vida institucional dos Gaviões da Fiel lembra, e muito, a infância do Clube, que este blogue tenta resgatar.
Do dia 1º de julho de 1969 até meados de 1972, a Sede mudou da rua Frederico Steidel para a Sete de Abril, depois rua Aurora, em um período de graves ameaças.
Os Gaviões nasceram pra poder reivindicar os direitos daFiel que paga ingresso sem parar…
Regalias, dinheiro, teto, tudo o que poderia roubar a independência da Torcida, foi recusado, e seguiu sendo.
Em 72, finalmente, a rua Santa Ifigênia. Uma Sede com horário de funcionamento. Um espaço para reuniões. OsGaviões cresceram enquanto Torcida.
Em 1975, aprofundando os laços de amizades, criou-se o Bloco Carnavalesco. Campeões em 76, 77, 78, 79…
Veio a Escola de Samba. O Jornal O Gavião. E os Gaviõesvoltam o Corinthians ao Bom Retiro, bem perto de onde durante todo o mês maio de 1910, numa praia do rio, se pôde ver o rastro do Cometa riscando o céu…

São quarenta anos de Corinthianismo…
Completos hoje, em um dia de LUTA!
Um dia de GUERRA, como gostamos, Família!
PARABÉNS, GAVIÕES!!!
VAI CORINTHIANS!!!

Que os Antigos Gaviões nos guiem sempre
SARAVÁ SÃO JORGE
ASÈ

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A voz da rua

Manifesto dos Gaviões da Rua São Jorge escrito depois da morte do Clayton em 04/06.

Mostra bem o direcionamento político que estão tomando.

Serão cada vez mais marginalizados.

E aqui, no Vai, lateral!, terão cada vez mais espaço. E colaboração.

Que fale cada vez mais alto a voz da rua!

***

A VOZ DA RUA

Os fatos deviam sempre falar por si. Um bom jornalismo apresenta os fatos e deixa que os leitores, que têm inteligência suficiente para isso, cheguem às suas conclusões. Mas quando a grande mídia apresenta os fatos, já vai logo dando sua versão, não deixando espaço para um julgamento isento de opinião particular, de classe ou de preconceito. A grande mídia são os grandes jornais, as grandes emissoras de radio e TV, e seus apresentadores, que se crêem os donos da verdade e os paladinos da moral.  Não todos, é claro. Mas uma grande maioria. São formadores de opinião que esquecem que de perto ninguém é normal. E que todos os seres humanos têm as suas perversões. Vai saber a vida de cada um. Sempre, um dia, alguma bomba estoura. E muitas máscaras caem. Mas enfim. Não é destes medíocres que vamos falar. Não agora.

O que queremos neste momento é elucidar os últimos fatos relacionados aos Gaviões da Rua São Jorge, e que foram levados á publico envoltos em versões que não correspondem à realidade. Versões que, para além do preconceito, escondem intenções muito mais amplas e maldosas, nesse jogo de bandido e mocinho que jogam os donos do poder deste país, e que faz de nós, torcidas organizadas, risíveis joguetes, numa engrenagem, que mesmo os mais atentos dentre nós, não percebemos com clareza. Também deste jogo de mocinho e bandido, e da criminalização da pobreza, que tem levado ao extermínio os jovens de nossas periferias, não trataremos aqui. Não agora. Lembramos, apenas, que nossos jovens vêm, em sua estonteante maioria, dessas periferias desprovidas, desafortunadas, cheias de medo de não amanhecer, esquecidas das políticas publicas, principalmente para essa juventude. Também das necessidades dessas políticas públicas para a juventude, que sejam capazes de fazê-los acreditar em um futuro mais justo e digno para eles neste país, também não trataremos aqui. Não agora.

Nossa voz se levanta aqui para nos defender das mentiras que foram ditas por uns e veiculadas por outros a respeito dos fatos que ocorreram na quarta-feira, dia 04 de Junho de 2009. Versões alardeadas pelo Sr. Paulo Castilho e pela Sra. Ana Maria Braga. Aquele por maquiavélica inteligência. Esta por pura burrice e desinformação. Aliás, se o Louro José trocasse de lugar com ela, ninguém notaria. Não. Notariam sim. Ele tem mais inteligência do que ela. Ela é que é a papagaia. E aqui paramos pra pensar: Como podemos qualificar o ato cruel de invadir diariamente a residência de milhões de brasileiras pobres, que mal conseguem comprar o arroz, o feijão e a mistura, para torturá-las com receitas, comidas e guloseimas que elas nunca terão acesso? Como qualificar o ato de incitar desejos de consumo a uma população de miseráveis que nunca, nunca vão poder satisfazer-los? Quem é mais quem? Como ser mais você, se tudo na vida de quem é pobre é menos? O que Ana Maria diz diariamente em seu programa é: Olha, todos podem ter acesso a isso: Menos você. Como qualificamos isso? Tortura? Sacanagem? Ignorância? No entanto, D. Ana Maria Braga, se acha no direito de nos chamar de um bando de marginal e vagabundo.

Já a inteligência da perversidade do Sr. Paulo Castilho atende, não sabemos se consciente ou inconscientemente, às necessidades de elitização do futebol, que pede o afastamento dos favelados, dos periféricos, dos negros, dos mestiços, dos pobres, da imensa maioria do povo brasileiro. Porque, não nos enganemos, esse discurso de “famílias afastadas dos estádios”, não se mantém se verificamos a realidade. Ou aquele senhor que eu conheço e que mora na minha quebrada, que foi ao estádio com sua esposa e filha, não é família? A questão é saber de que família estes senhores da moral, estão falando. Não é da pobre e favelada. Mas desses processos de elitização do futebol não trataremos aqui. Não agora.

Faz-se necessário um debate interno dentro do Movimento da Rua São Jorge. Abrir a cabeça dos nossos jovens para o jogo perverso que nos envolve, e se não estivermos atentos, seremos arrastados pelo rolo compressor da mentira e da perversidade daqueles para quem a nossa criminalização só trará benefícios pessoais. Jovens promotores, querendo construir carreiras, se auto considerando, os benfeitores da sociedade. Jovens promotores que desconhecem a vida, o mundo real e a sociedade brasileira. Jovens promotores formados entre quatro paredes, presos a livros e a leis frias, que aplicam como dessem comprimidos para a dor de cabeça. Defensores da lei e da ordem que só beneficiam sua classe social. Pois não é com a sociedade pobre e marginalizada que eles estão preocupados. Mas desses jovens promotores também não trataremos aqui. Agora não.

O momento é de esclarecer a sociedade civil o que verdadeiramente aconteceu na Marginal Tietê. Porque não foi emboscada nenhuma. E olhamos perplexos um mundo de exageros e mentiras desabar sobre nossas cabeças. Condenados sem julgamento. Criticados por todos, sem conseguir expressar nossos sentimentos. Nossa dor pela perda de um irmão. Nossa revolta.

O nosso objetivo aqui será o de  encaminhar a razão e procurar a verdade nos fatos. Recusar todos os preconceitos, não aceitando como verdadeira nenhuma versão que não seja comprovada. Vamos aqui enunciar versão a versão e mostrar o quanto são refutáveis.

Emboscada? Se por emboscada entendemos, e assim nos diz o Aurélio, que é o ato de esperar às escondidas pelo inimigo para atacá-lo de surpresa, Como  pode ter sido emboscada se aquele sempre foi o caminho dos gaviões da Rua São  Jorge? Todos sabem disso. Policia e torcidas adversárias. Não é um caminho que se vai quando se quer se esconder e atacar de surpresa. Ou o jovem promotor não entende nada de ciência militar, ou optou por mentir descaradamente.

Como emboscada se era 1 ônibus contra 13 num terreno pouco favorável a um ato destes? Um ônibus visível até pelos mais míopes. E esse único ônibus trazendo mulheres, crianças e um deficiente, ocupando espaço que poderia ser destinados a outros briguentos. Seria inteligente tirar homens e colocar mulheres e crianças para ir para uma briga?

Tínhamos escolta? Tínhamos. A nossa. Não porque fôssemos os poderosos e não precisássemos da colaboração da polícia, mas porque ela nos foi negada. Sem escolta batemos no peito pra dizer: é com nóis mesmo. Nossa defesa eram nossos punhos. Não tínhamos nenhuma arma. Muito menos a arma de alto calibre que foi veiculada na mídia. Mentira, mentira, mentira.

O fato é que quando chegamos na altura da rodoviária do tietê, três motos da Rocam, aparecem do nada, e nos joga para a direita. Se ela queria aparecer, porque não o fez desde a saída da Rua São Jorge? Após o viaduto das Bandeiras pararam nosso ônibus e carros. E olha a coincidência: “40 segundos” depois passavam os 13 ônibus vascaínos na pista central. E olha a coincidência: eles também foram parados. A rivalidade antiga aflorou, falou mais alto e eles marcharam para cima de nós. E aí já estávamos no meio de uma briga lutando pra se defender. Recuamos no sentido da ponte Tiradentes. Para trás ficaram nossos carros e o ônibus. Até esse momento ninguém tinha sido foi preso. Dos vascaínos ninguém chegou a ser preso. Seus ônibus seguiram tranquilamente para o estádio como se nada tivesse acontecido. E, então, voltarmos para os nossos carros e ônibus, acreditando que seria o mais seguro devido à presença da polícia no local. Eles mesmos disseram que nós tínhamos sido vítimas. Mas coma chegada da delegada Margareth e do jovem promotor, tudo mudou de figura.

Se tínhamos sido vítimas de vandalismo, roubo e morte, se tivemos nosso ônibus depredado, nossos carros destruídos e uma moto incendiada, passamos a ser os vagabundos, os criminosos, os bandidos.

Se somos bandidos porque insistimos em participar e dar nossa contribuição em todas as reuniões do Batalhão?  Mesmo quando a delegada Margareth manda nossos representantes se retirarem da reunião, justificando que somos os Gaviões da Rua São Jorge, que não somos reconhecidos como tal, que não possuímos CNPJ.

Também fomos retirados de uma reunião no Fórum com o Promotor, o Secretário do Ministro e todas as outras torcidas organizadas. Não nos identificaram como Rua. Quem vive na rua vive ao relento. Sem voz, nem vez. É assim a nossa sociedade.

Se somos bandidos porque insistimos em pedir escolta? De início fomos atendidos. Mas logo começou o boicote.  Inclusive de outras torcidas. Inclusive de parte da nossa torcida. Na rua é assim: cada um por si e Deus por todos.

Estão todos esses fatos e essa versão de emboscada desconectados um dos outros? São fatos isolados? Não se vê nessa forma de agir contra os Gaviões da Rua São Jorge uma certa lógica?

Sabemos que nos envolvemos em brigas. Sabemos que isso não leva a nada. Como sabemos, por experiência, que à medida que a idade vai chegando, esses pensamentos vão mudando. E nós mesmos, olhando em retrocesso o nosso passado de brigas, dizemos aos mais jovens, que isso é besteira, que não dá futuro a ninguém. Mas futuro, nenhum periférico tem nesse país. Então que diferença faz? O jovem se pergunta. E aí já não sabemos mais responder. Não somos sociólogos nem psicólogos sociais. Simplesmente nascemos dentro de uma realidade brasileira, de um contexto, de uma formação social que nos é adversa. Somos formamos nela. E respondemos tentando sobreviver a isso. Mantendo nossa sobrevivência psíquica em tempos de crise civilizatória. Sabemos, sim, que apesar das confusões que causamos, não somos bandidos, como querem fazer a sociedade crer. Não somos terroristas, que é o medo da moda desde o 11 de Setembro. Não somos delinqüentes nazistas que matam negros, nordestinos e índios. Somos periféricos que brigam com periféricos. E que nesse brigar, infelizmente, para nosso pesar e tristeza, morre, ás vezes, um jovem. Aí somos pobres matando pobres. É justamente aqui que riem de nós. E pensam: Isso! Matem-se. Mostrem à todos, quem vocês são de verdade. Vagabundos. Marginais. Bandidos. Se vocês são ou não são, isso não nos interessa. O que não queremos é que um bando de loucos estejam organizados. E que um dia, deixem de brigar e invadam câmaras e senados brigando por educação, igualdades e direitos. Pois é para isso que queremos caminhar. Que a cobrança por títulos para o Todo Poderoso Corinthians venha acompanha de outras cobranças, lutas e conquistas sociais e humanas. Que os Gaviões da Rua São Jorge possa contribuir verdadeiramente para a higienização do futebol, ocupando as salas e pondo os cartolas contra a parede. Em nome da nação Corinthiana, em nome da nação brasileira. Os Gaviões que se juntaram na Rua São Jorge, querem e vão brigar para construir um novo modelo de torcida. A cada dia com seu nível de consciência mais elevado, a cada dia mais organizada.

Mas aqui tem um bando de loucos, sim. Loucos por ti Corinthians. Loucos por ti minha quebrada. Loucos da rua. Porque a rua ensina e mostra ao homem a sua verdadeira dimensão. Porque a rua é do tamanho do mundo. A rua é o mundo. E o homem é do tamanho de uma pedra miúda. E, aqui, deixamos para todos nosso recado final: CNPJ? CNPJ é a rua mané. Nela, é nóis que tá.

Movimento Gaviões da Rua São Jorge.

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Passa Palavra 2

O especial sobre futebol e política do Passa Palavra chega ao segundo artigo, escrito por mim.

O tema é a Gaviões da Fiel e seus aspectos políticos.

Reproduzo abaixo.

Especial Futebol (II): A Gaviões da Fiel e o caráter político do torcedor

Segundo artigo do especial do Passa Palavra sobre futebol, é sobre o procedimento, entendido pela Gaviões como a postura a ser tomada frente ao Corinthians e seus problemas, que falaremos aqui. Por Kadj Oman [*]

gaviao_interna3O ano era 1969. Vivíamos sob a ditadura, mais precisamente na época da chamada “linha dura”, com Costa e Silva no poder. Um ano havia se passado desde 1968, quando revoltas, principalmente estudantis, recrudesceram tanto a oposição quanto o governo. Veio o AI-5, e a censura, a repressão e a tortura se espalhavam por todo o país.

Em meio a tudo isso, em São Paulo, o clube de futebol mais popular do Estado enfrentava a sua própria crise: há 15 anos sem títulos, o Sport Club Corinthians Paulista vivia também outra ditadura, particular. Wadih Helu, há mais de década no poder, fazia o que queria com o departamento de futebol profissional. Até que um grupo de torcedores que se encontrava nos jogos do time desde 1965, liderados por Flávio La Selva, resolve fundar uma torcida organizada, a primeira do Brasil, apoiada estruturalmente nos moldes dos clubes de bairro e ideologicamente na efervescência de idéias de luta por liberdade que inundava o país. Tinha início, em 1º de julho, a Gaviões da Fiel.

release oficial da Gaviões, encontrado no sítio na internet da torcida – www.gavioes.com.br – e escrito por Roberto Daga, sócio número 3, diz exatamente que ”(…) um grupo de corinthianos autênticos que vieram a se conhecer nas gerais dos estádios onde o Corinthians se apresentava (…) movidos pelo ideal de colaborar com a vida do clube, não só incentivando o time, mas também participando efetivamente da vida política administrativa do Sport Club Corinthians Paulista (sic)” deu início à Gaviões. Um início que já se colocava como político, onde o “(…) ideal de participação nada mais é do que o exercício do direito de influenciar, e dar aos mandatários do clube, a legitimidade ao mandato exercido, e ao mesmo tempo obrigá-los à cumprir os verdadeiros anseios na Nação Corinthiana (sic)”. Começava a história do grupo que, anos mais tarde, traçaria como seu mote “lealdade, humildade e procedimento”. É sobre o procedimento, entendido pela Gaviões como a postura a ser tomada frente ao Corinthians e seus problemas, que falaremos aqui.

Hoje, junho de 2009, às vésperas do quadragésimo aniversário da torcida, o que inunda as manchetes de jornais pelo país é a notícia de que uma “dissidência violenta” da Gaviões teria provocado uma emboscada a torcedores do Vasco da Gama, em dia de jogo entre este e o Corinthians pela semifinal da Copa do Brasil, que terminou na morte de um torcedor corinthiano. Já questionada e refutada por grande parte da mídia, graças ao esforço de jornalistas independentes que fizeram o serviço de apurar os fatos e colocar o lado dos torcedores na história, a versão da mídia para o acontecido abre a possibilidade de um debate sobre o lugar atual do caráter político que a Gaviões da Fiel buscava exaltar em sua criação. Para isso, antes de mais nada, cabe identificar a dita “dissidência violenta” noticiada pela grande mídia.

Desde 1975, a Gaviões da Fiel participa do Carnaval paulistano, primeiro enquanto bloco, e depois – a partir de 1989 – enquanto escola de samba. Essa participação, além de ter sido fundamental no crescimento do número de associados da torcida, hoje com o maior quadro de sócios do país, modificou as estruturas de poder e de interesse de seus membros, principalmente alguns de seus dirigentes. O Carnaval mexe com dinheiro, muito dinheiro, tanto entrando quanto saindo. O que se configurou, então, foi uma gradativa divisão, a princípio não tão nítida, depois bastante clara e opositora, entre os interesses da escola de samba e os interesses da torcida de futebol. Grupos que defendiam os dois lados passaram a se opor sobre os rumos da Gaviões, tanto politicamente quanto economicamente. E essa divisão começou a ser posta à prova há mais de dez anos. Na década de 90, um episódio de confronto dentro de campo entre torcedores de torcidas organizadas de São Paulo e Palmeiras, após um jogo de juniores das duas equipes, desencadeou uma série de ações restritivas às torcidas organizadas no estado de São Paulo. Boa parte delas foi juridicamente fechada, o que não as impediu de existir mesmo que sem suas camisas e com bandeiras sem seus nomes, mas com seus ideais. A Polícia passou a acompanhar e controlar a atividade das mesmas, principalmente dentro do estádio. E as organizadas foram forçadas a mudar a toada de suas canções e ações.

gavioes_racismoNo caso da Gaviões, no lugar dos cânticos de extermínio ao rival, entram os gritos de apoio ao Corinthians e questionamento do poder do Estado, mesmo que indiretamente: ao invés de “Morumbi ela domina, Pacaembu ela destrói / No Rio ela detona qualquer um que ela encontra / Não tenho medo de morrer / Eu dou porrada pra valer / Eu amo essa torcida e o nome dela eu vou dizer / Como é que é? / Gaviões – Fiel! / Eu sou / Da Gaviões, eu sou / Vou dar porrada, eu vou / E ninguém vai me segurar”, temos “Contra todo ditador que no Timão quiser mandar / A Gaviões nasceu pra poder reivindicar / Os direitos da Fiel que paga ingresso sem parar / Não temos medo de acabar/ Corinthians joga, eu vô tá lá / Nossa corrente é forte e jamais se quebrará / Pelo Corinthians / Com muito amor / Até o fim / Gaviões – Fiel! / Eu sou / Da Gaviões, eu sou / Corinthians joga, eu vou / E ninguém vai me segurar”.

A repressão, portanto, acaba forçando as organizadas a se repensarem para sobreviver, e isso vai para além dos cantos de estádio: na forma jurídica, refundadas enquanto escolas de samba, as torcidas encontraram um meio de não poderem ser fechadas pelo Ministério Público. O Carnaval ganha espaço e importância. A oposição interna da Gaviões, então, volta a aparecer. E cinco anos atrás, passa por um teste de fogo.

O Corinthians vivia sob nova ditadura, desta vez de Alberto Dualib, quando, no final de 2004, fechou parceria escusa com um empresário iraniano. Kia Joorabchian, ligado à máfia russa, veio ao clube com a promessa de montar um “supertime”. A Gaviões, então, vivenciou um quase-racha entre aqueles que apoiavam a parceria e aqueles que eram contrários a ela. Dois anos depois, Kia, Dualib e o Corinthians preenchiam as páginas policiais dos jornais, com o iraniano sendo procurado pela Polícia Federal e tendo a prisão preventiva decretada. O clube, sem dinheiro e sem jogadores – os grandes craques, com a turbulência, foram levados para a Europa -, acabou o ano de 2007 tendo sido rebaixado para a segunda divisão do campeonato nacional pela primeira vez em sua história. Nas arquibancadas, entretanto, uma vitória: reunidos momentaneamente pelo momento de crise, os torcedores criaram a vitoriosa campanha “Fora, Dualib!”, que tirou o mandatário e sua diretoria do controle do clube, provocou uma mudança estatutária para impedir a reeleição infinita e recolocou a administração sob os olhares atentos dos torcedores.

No Carnaval, entretanto, confusões jurídicas e econômicas entre a Gaviões, a Liga das Escolas de Samba de São Paulo e a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão dos desfiles, causaram finalmente a ruptura entre os opositores do Carnaval enquanto atividade principal da entidade e os defensores do mesmo. Derrotados em eleição interna da torcida, os opositores – os mesmos que no começo da década realizaram uma aproximação da Gaviões com movimentos sociais, notadamente o MST e os movimentos de sem-teto – fundaram o Movimento Rua São Jorge, composto por diversas lideranças da torcida e outros membros insatisfeitos com a condução da entidade, cujos dirigentes sofriam acusações de corrupção e de colocar interesses individuais à frente dos coletivos, incluindo aí suspeitas de envolvimento de alguns deles com algumas das muitas máfias que rondam o meio do futebol. Passando a se encontrar em frente ao Corinthians, na rua São Jorge, para ir aos jogos, os membros do Movimento se tornaram alvo fácil para as outras organizadas a partir do momento em que não constituem juridicamente uma nova torcida e, por conta disso, não contam com proteção (?) policial em dias de jogos. Por conta dessa exposição, acabaram por alugar uma sede própria, que não serve como uma desculpa para fundar uma nova torcida – afinal, todos eles têm orgulho e fazem questão de afirmar que são Gaviões da Fiel –, mas como ponto de encontro de torcedores que antes se concentravam em bares na frente do Corinthians.

Num cenário em que a sociedade deteriorou de tal maneira os espaços públicos e coletivos a ponto de que as disputas entre torcidas saíram cada vez mais do nível simbólico para alcançar o nível do confronto físico pela ocupação de um espaço que é, no cotidiano, alheio às duas, o envolvimento da Rua São Jorge em confusões violentas – as quais nem sempre provoca, mas nunca evita, conforme o código de conduta informal que rege o comportamento das torcidas organizadas – serve como prato cheio para desvirtuar aquilo que o movimento tenta construir: um fórum nacional de torcidas organizadas que busque combater a crescente onda repressora e opressora nos estádios brasileiros, que vai desde proibições e arbitrariedades quanto a bandeiras com frases políticas à exclusão e segregação dos torcedores organizados em determinados setores do estádio. Foi nesse sentido que a Rua São Jorge organizou o I Seminário da Rua São Jorge, em março deste ano, para não só explicar a ideologia do movimento mas discutir, nas palavras do release do evento, “as experiências e organização dos movimentos sociais brasileiros e a organização do movimento Rua São Jorge junto ao processo de extinção das torcidas organizadas e a elitização do futebol”.

gavioesSe, em 1979, dez anos depois de fundada e ainda sob a ditadura militar, a Gaviões da Fiel – que a essa altura já tinha conseguido depor Wadih Helu do comando do Corinthians em um episódio chamado de Revolução Corinthiana – estendia uma faixa com os dizeres “Anistia ampla, geral e irrestrita”, em 2009 o Movimento Rua São Jorge busca resgatar este caráter político e contestador da torcida organizada de futebol. Em meio a isso, sofre com a violência – e revida com ela da mesma maneira esquizofrênica com que é atacado – de outros grupos torcedores, muitas vezes dominados por máfias ou influências políticas, e da mídia, da Polícia e do Ministério Público, que não os reconhecem e os marginalizam da mesma forma com que marginalizam outros movimentos sociais por aí e com que espancavam e prendiam membros da Gaviões – e de outras organizadas – que nos anos de chumbo ousavam cantar e dizer contra a ditadura. Afinal, são anos de tratamento animalesco por parte do poder público, e durante esses anos a cultura da violência cresceu de tal forma que não é possível ser terminada de uma hora pra outra, ou por meio de medidas ainda mais autoritárias como as que vemos acontecer dia após dia – chega-se ao cúmulo de propor jogos com torcida única. O problema da violência não é exclusividade do futebol e muito menos caso de polícia: sua ordem é maior, social, intrinsecamente ligada ao processo de expansão espacial do capital que se deu no Brasil aceleradamente da década de 50 em diante.

invasao_2O futebol, por seu caráter aglutinador de massas, consegue proporcionar espaços propícios a todo tipo de experiência política coletiva. A maioria delas é cooptada e orientada no sentido do capital, que vai em busca de uma “limpeza” das arquibancadas com vistas à Copa do Mundo de 2014, que aqui será realizada. Mas é engano dos mais terríveis pensar que as torcidas organizadas são apenas agrupamentos bélicos que buscam exterminar um ao outro: em recente audiência pública na Câmara dos Vereadores em que reclamavam a volta das bandeiras com mastro de bambu aos estádios paulistas, banidas há mais de década, os dirigentes das principais organizadas do estado, cansados da enrolação parlamentar, fecharam o encontro dizendo que, se não tiver conversa, deveriam se unir para chegar em 2014 fortes o suficiente para “roubar todos os turistas e botar fogo nessa merda (sic)”. A violência do capital, portanto, encontra reflexo à medida que se recrudesce, e o autoritarismo força os torcedores a repensar suas práticas, criando a possibilidade de surgimento de outras estruturas e outras idéias e ações como as que o Movimento Rua São Jorge tenta organizar.

Até 2014, o movimento dos torcedores organizados terá um grande desafio: superar a esquizofrenia do aniquilamento mútuo em nome de sua própria sobrevivência. Entretanto, para isso, precisa conseguir criar algo forte o suficiente para não só sobreviver, mas abrir espaço para se auto-afirmar enquanto movimento social nas cada vez mais excludentes arquibancadas deste país. Parte deste desafio passa por uma revisão de suas estruturas e de suas alianças. No caso da Gaviões, entre o MST e o espectro das máfias organizadas, há um abismo que pode decretar a falência ou a reorganização do ideal de “procedimento” que, desde sempre, norteou as ações da torcida.

Hoje, o Movimento Rua São Jorge representa a possibilidade transformadora desse ideal. Resta torcer e, na medida do possível, colaborar e participar para que a violência – em todas as suas formas, do preço do ingresso ao confronto físico com outras organizadas – não acabe por reduzir esse potencial ao nível das disputas sangrentas por poder.

[*] https://vailateral.wordpress.com

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